Imagem Peregrina chega à Escadinha do Cais do Porto após procissão fluvial e segue acompanhada por motociclistas até o Colégio Gentil Bittencourt
A fé navegou pela Baía do Guajará e depois ganhou as ruas de Belém sobre duas rodas. A Romaria Fluvial e a Motorromaria movimentaram ontem (10) a capital paraense, reunindo devotos de Nossa Senhora de Nazaré em duas manifestações que unem tradição religiosa, identidade amazônica e participação popular.
Na Romaria Fluvial, a Imagem Peregrina saiu do distrito de Icoaraci rumo à Escadinha do Cais do Porto. A travessia foi realizada a bordo do Navio Hidroceanográfico Garnier Sampaio, da Marinha do Brasil, com acompanhamento de embarcações que seguiram pela Baía do Guajará.
A chegada ocorreu por volta das 10h30, quando a imagem foi recebida na área central da capital para dar continuidade à programação nazarena.
A romaria tem um significado particular para quem vive nas ilhas e nas comunidades ribeirinhas da região. Para esses devotos, o encontro com a imagem nas águas é uma oportunidade de renovar promessas, agradecer graças alcançadas e participar de uma tradição que faz parte da história religiosa de Belém.
Diego Oliveira e sua filha Sofia Oliveira já participam pela quarta Motoromaria. Neste ano, eles foram agradecer as bênçãos e proteção de Nossa Senhora, e também pedir outras graças e bênçãos para a família.
Os Correios, junto com seus carteiros de moto também homenageam todos os anos a motorromaria, uma tradição da estatal no Pará.
Motoristas e motociclistas entram no cortejo
Concluída a etapa fluvial, foi a vez de os motociclistas assumirem as ruas. A Motorromaria, uma das procissões oficiais do Círio, reuniu participantes que ornamentaram suas motos e acompanharam a Imagem Peregrina em um percurso de aproximadamente 2,5 quilômetros.
O cortejo saiu da região da Escadinha do Cais do Porto, passou pela Praça Pedro Teixeira e pelas avenidas Presidente Vargas e Nazaré, com destino ao Colégio Gentil Bittencourt.
Criada em 1990, a procissão se tornou uma das expressões mais características da participação dos motociclistas no Círio. O ronco dos motores acompanha orações, buzinas e homenagens, transformando o deslocamento pelas ruas em um ato coletivo de fé.
Devoção também exige responsabilidade
A concentração de motocicletas exige atenção redobrada à segurança. Antes da procissão, o Detran anunciou uma operação especial de fiscalização, com mais de 100 agentes mobilizados para orientar e fiscalizar os participantes.
Entre os pontos observados estão o uso do capacete pelo condutor e pelo passageiro, a habilitação, o respeito à capacidade de transporte da motocicleta e a proibição de levar crianças menores de sete anos como passageiras.
O acompanhamento das romarias também contou com uma estrutura integrada de segurança pública, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup).

Um sábado de intensa programação nazarena
As duas procissões fazem parte da sequência de homenagens que antecede o Círio principal, marcado para domingo (11). Neste sábado, a programação religiosa segue com a Trasladação, uma das manifestações mais tradicionais da festividade, que conduz a Imagem Peregrina até a Catedral Metropolitana de Belém.
Entre as águas da baía e o asfalto da capital, a mensagem do Círio permanece a mesma: agradecer, pedir proteção e renovar a devoção a Nossa Senhora de Nazaré.

Do PASSAPORTE/Fotos: Agência Imagem 2.0
