Procissão deste domingo reúne promesseiros, famílias e visitantes; festa também movimenta o turismo, o comércio e os serviços no Pará
Belém amanhece neste domingo, 11 de outubro, com os olhos voltados para Nossa Senhora de Nazaré. O Círio 2026 transforma as ruas da capital em um grande corredor de fé, onde promessas, lágrimas, orações e homenagens se misturam em uma manifestação que ultrapassa os limites da religião e se tornou símbolo da identidade paraense.
A jornada começa às 6h, com missa na Catedral Metropolitana, presidida por Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém, e concelebrada por dezenas de bispos convidados e pelo clero. Às 7h, a Imagem Peregrina segue em direção à Basílica Santuário, acompanhada por uma multidão que ocupa ruas e avenidas do centro da cidade.
A expectativa divulgada pela organização é de aproximadamente 2,3 milhões de participantes na procissão principal. Gente que vem de longe, moradores da capital e devotos da Região Metropolitana se encontram em uma celebração que, para muitas famílias, tem o mesmo significado afetivo de uma grande reunião de fim de ano.
Uma semana de fé, suor e emoção
O caminho até o domingo começou na quarta-feira, 7 de outubro, com o Traslado dos Carros. Na sexta-feira, a Imagem Peregrina percorreu Ananindeua e Marituba, aproximando a festividade de comunidades que também fazem parte da história do Círio.
O sábado foi intenso. A Romaria Rodoviária levou a devoção pelas estradas; a Romaria Fluvial reuniu embarcações nas águas da Baía do Guajará; e a Moto Romaria colocou motociclistas em movimento pelas ruas de Belém. À noite, a Trasladação conduziu a imagem até a Catedral Metropolitana.
A cada etapa, repetem-se cenas que emocionam: pessoas caminhando descalças, devotos segurando fotografias de familiares, crianças nos ombros dos pais e romeiros que enfrentam o cansaço para cumprir promessas.
A corda continua sendo um dos símbolos mais conhecidos do Círio, mas a força da festa está também na experiência de quem acompanha a procissão e encontra nela uma forma de agradecer, pedir proteção ou superar momentos difíceis.
O Círio que movimenta milhões — e a economia também
Enquanto a multidão se concentra nas procissões, a cidade experimenta uma movimentação extraordinária. Hotéis, restaurantes, transportes, mercados, lojas, vendedores ambulantes e pequenos empreendedores participam de uma cadeia econômica impulsionada pela chegada de visitantes.
O turismo religioso projeta Belém para o Brasil e para o exterior. Muitos visitantes aproveitam a viagem para conhecer o centro histórico, experimentar a culinária paraense, visitar mercados tradicionais e descobrir as manifestações culturais da Amazônia.
Mas a festa também coloca desafios para a cidade: trânsito, limpeza, acessibilidade, segurança e atendimento aos romeiros exigem planejamento e trabalho conjunto. O potencial econômico do Círio será ainda maior se as oportunidades alcançarem pequenos negócios e trabalhadores locais, sem perder de vista o bem-estar da população.

Uma tradição que não cabe em uma fotografia
O reconhecimento internacional do Círio como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade confirma o valor de uma manifestação que combina fé, memória e cultura. A festa não se resume às imagens impressionantes da multidão: está nas famílias que preservam a tradição, nos voluntários que ajudam os romeiros e nas comunidades que preparam homenagens durante meses.
É também uma expressão da Amazônia paraense. A gastronomia, a música, o artesanato e a hospitalidade regional ajudam a construir uma experiência que marca quem participa pela primeira vez e quem retorna todos os anos.

Ainda tem Círio depois deste domingo
A programação continua no próximo fim de semana, com a Ciclo-Romaria e a Romaria da Juventude no sábado, 17, e a Romaria das Crianças no domingo, 18.
No sábado, 24, serão realizadas a Romaria dos Corredores, a Romaria da Acessibilidade e a Procissão da Festa. O Recírio, na segunda-feira, 26, encerra o ciclo principal das celebrações.
Até lá, Belém continuará respirando a festividade, com missas, manifestações culturais e atividades na Praça Santuário.
Neste domingo, o Círio mostra por que emociona milhões de pessoas: cada devoto tem sua própria história, mas todos encontram espaço na mesma celebração. É fé que move a multidão, tradição que atravessa gerações e uma festa que projeta o Pará para o mundo.

Por Cleiton Palmeira, editor CEO do jornal PASSAPORTE
