Análise: o que a CBF precisa mudar na Seleção Brasileira até 2030?

CEO da CNN e apresentador do CNN Esportes S/A, João Vítor Xavier, aponta falhas estruturais na gestão da CBF e falta de preparo físico e mental dos atletas brasileiros

A Seleção Brasileira enfrenta desafios profundos para competir de forma consistente nas próximas edições da Copa do Mundo. O CEO da CNN e apresentador do CNN Esportes S/A, João Vítor Xavier, elencou os principais problemas que precisam ser resolvidos pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) até 2030, destacando falhas de gestão institucional e deficiências no comportamento e preparo físico dos jogadores.

Histórico de instabilidade na CBF

O primeiro ponto levantado por João Vítor Xavier diz respeito à gestão da entidade. Segundo ele, a CBF acumula um histórico grave de instabilidade em sua liderança.

“A gente vê Ricardo Teixeira saindo da CBF com ordem judicial e com problemas dos mais graves. A gente viu José Maria Marin saindo preso. Marco Polo Del Nero não pôde viajar para a Copa do Mundo de 2018 porque se saísse do Brasil podia ser preso pela Interpol. O Rogério Caboclo saiu da CBF com um problema gravíssimo de assédio com os funcionários”, afirmou.

O CEO da CNN destacou ainda que o último dirigente antes de Samir Xaud também deixou o cargo por determinação judicial. “Assume o Samir, faltando apenas um ano para uma Copa do Mundo. E o que a gente espera é que agora a CBF tenha paz, tranquilidade e estabilidade para construir um trabalho de longo prazo”, disse.

Para ele, o Brasil também sofre com a dificuldade de manter seus talentos jovens, que cada vez mais perdem espaço para atletas de outras nacionalidades nos clubes nacionais.

Fragilidade mental e falta de foco dos atletas

O segundo problema apontado pelo apresentador do CNN Esportes S/A é comportamental e diz respeito diretamente aos jogadores. Na sua avaliação, a geração atual de atletas brasileiros demonstra pouco comprometimento com o alto rendimento.

“Temos uma geração de jogadores mentalmente muito frágeis. Jogador preocupado em dar entrevista explicando como é que é seu banho de creme. Jogador mais preocupado com a relação com a Virgínia do que com a Copa do Mundo”, afirmou.

Ele também fez referência a uma fala do ex-jogador Vampeta para reforçar o argumento de que ganhar uma Copa do Mundo exige um elenco de altíssimo nível. “Para ganhar a Copa de 94, nós tínhamos Bebeto e Romário no auge, Raí, Dunga, Taffarel, Jorginho e Cafu. E fomos ganhar da Itália nos pênaltis”, recordou.

Globalização do futebol e exigência física crescente

João Vítor Xavier também abordou as transformações estruturais do futebol mundial nas últimas décadas. Para ele, a globalização do esporte nivelou o campo de disputa de forma significativa.

“Se você pega nos anos 80, nos anos 70, o jogador brasileiro jogava no Brasil, o argentino na Argentina. Hoje, todos os jogadores brasileiros jogam na Europa, os argentinos também”, explicou. Esse intercâmbio, segundo ele, permitiu que seleções africanas, por exemplo, passassem a competir em patamar muito mais elevado.

Outro fator destacado foi o aumento expressivo das exigências físicas nas competições de alto nível. “O nível de preparo físico é assustador. Veja quantos jogos nessa Copa do Mundo foram decididos nos minutos finais e nas prorrogações. Se o cara não chegar na Copa do Mundo muito bem fisicamente, ele não vai conseguir entregar”, alertou.

O CEO da CNN concluiu que o futebol atual exige muito mais do que habilidade técnica: “Tem que ser, acima de tudo, atleta e atleta de alto rendimento”.

“Precisamos ter gestão fora de campo e precisamos ter uma geração de jogadores maduros, comprometidos em ganhar a Copa do Mundo. No momento, não temos nenhuma das duas coisas”, afirmou Xavier.

Da CNN Brasil/Foto: CBF