Análise: O sepultamento da democracia na Nicarágua

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega  • Foto: Gregorio Marrero/LatinContent via Getty Images (10.janeiro.2013)

O recente anúncio do fim das eleições apenas oficializa um processo de concentração de poder que Daniel Ortega e Rosario Murillo construíram ao longo de quase vinte anos

A Nicarágua não se tornou uma ditadura quando Daniel Ortega anunciou que o país deixaria de realizar eleições. A declaração feita neste julho de 2026 apenas retirou o último véu de um processo que já vinha sendo construído havia quase duas décadas. O anúncio tem enorme peso simbólico porque elimina até mesmo a aparência de competição política. Mas a democracia nicaraguense já havia sido desmontada peça por peça muito antes desse momento.

O caso da Nicarágua é particularmente interessante porque revela uma dinâmica cada vez mais comum no século XXI. As democracias dificilmente morrem por meio de um golpe clássico. Elas costumam ser corroídas por dentro, utilizando as próprias instituições para concentrar poder. Foi exatamente esse o caminho seguido por Ortega.

Fonte CNN/
Blog da Fernanda Magnotta