Passageiros denunciam abandono em ônibus da Empresa de Transportes Boa Esperança

Promessas de conforto, tecnologia e segurança parecem cada vez mais distantes da realidade enfrentada por passageiros que viajam diariamente nos ônibus da Empresa de Transportes Boa Esperança. Relatos recentes apontam para uma sequência de falhas graves que transformam viagens longas em verdadeiros testes de resistência, como na rota Belém-Marabá, com mais de 12 horas de estrada, via Alça Viária/Rodovia PA-150.

Um dos casos mais emblemáticos envolve o ônibus de número 7040, que saiu por volta das 7h com destino a Canaã dos Carajás, passando por Marabá. De acordo com denúncias de passageiros, o cenário a bordo é de total abandono: água quente em vez de gelada, ausência de internet, falta de carregadores de celular e até equipamentos básicos, como a geladeira, completamente inoperantes.

O que já seria suficiente para gerar indignação ganha contornos ainda mais graves quando se observa a precariedade estrutural do veículo. A porta do banheiro, por exemplo, estaria emperrada há meses, exigindo força excessiva para abrir — um problema que, segundo relatos, afeta principalmente mulheres e idosos. Já a porta do leito apresenta defeito antigo, sem qualquer sinal de manutenção por parte da empresa.

Outro ponto que chama atenção é a ausência de informações básicas ao passageiro. No local onde deveria haver um QR Code para acesso ao Wi-Fi — serviço amplamente divulgado pelas empresas de transporte — não há qualquer identificação ou orientação. Resultado: além de não funcionar, o serviço sequer pode ser acessado.

As reclamações não são isoladas. Passageiros afirmam que os problemas se repetem com frequência, indicando um padrão preocupante de negligência. “Todo mundo reclamando”, resume uma usuária indignada, que já considera formalizar denúncia contra a Boa Esperança junto ao Procon. Há relatos de vários acidentes.

A situação levanta questionamentos sobre a fiscalização e o compromisso da empresa com seus clientes. Em tempos em que o transporte rodoviário é essencial para milhares de pessoas na região Norte, episódios como esse escancaram uma realidade que precisa ser enfrentada com urgência.

Enquanto isso, quem depende da Empresa de Transportes Boa Esperança segue pagando caro por um serviço que, ao que tudo indica, está muito aquém do mínimo aceitável.

No caso do veículo em questão, o mesmo motorista que saiu dirigindo de Belém, conduziu o ônibus até Marabá, isto é, num trecho de mais de 12 horas sem troca da tripulação.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE/Fotos: Jornal PASSAPORTE