PF investiga fraude bancária de R$ 3 milhões em Belém e Ananindeua; servidor federal está entre os alvos

Operação Clones II apura suspeitas de falsificação de documentos, concessão irregular de crédito e lavagem de dinheiro. Cinco pessoas são investigadas

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de fraudes bancárias que pode envolver movimentações de até R$ 3 milhões em Belém e Ananindeua, na Região Metropolitana da capital paraense. A apuração faz parte da Operação Clones II, deflagrada em 15 de outubro de 2026, para aprofundar suspeitas de falsificação de documentos, obtenção irregular de crédito e lavagem de dinheiro.

A investigação alcança cinco pessoas e inclui medidas cautelares autorizadas pela Justiça Federal. Entre as providências estão mandados de busca e apreensão, acesso a dados de dispositivos eletrônicos, sequestro de bens e afastamento cautelar de um servidor público federal de suas funções.

O caso chama a atenção pela suspeita de que informações bancárias e documentos falsificados possam ter sido utilizados para viabilizar operações financeiras irregulares.

Saque em conta de correntista morta deu origem à investigação

Segundo a Polícia Federal, o inquérito começou após a identificação de um saque indevido de valores pertencentes a uma correntista falecida. A operação teria sido realizada mediante a apresentação de documentação falsa.

A partir desse episódio, os investigadores passaram a examinar outras transações suspeitas. Entre as possibilidades apuradas estão a contratação irregular de linhas de crédito e a movimentação de recursos que teriam beneficiado os investigados.

A suspeita inicial, portanto, levou a uma apuração mais ampla, voltada a identificar se os episódios fazem parte de um mesmo esquema e qual teria sido o papel de cada envolvido.

Possível acesso privilegiado a dados bancários

Um dos pontos centrais da investigação é a possível participação de um servidor público federal e de pessoas ligadas a ele. A PF procura esclarecer se informações bancárias de acesso restrito teriam sido utilizadas para facilitar as operações investigadas.

Os investigadores buscam identificar a origem dos dados, as circunstâncias em que teriam sido obtidos e a eventual relação entre essas informações e as transações financeiras suspeitas.

Até o momento, não há definição pública sobre a responsabilidade individual dos investigados. A apuração deverá reunir elementos para esclarecer se houve participação direta, colaboração ou eventual benefício decorrente das operações.

Investigação também apura lavagem de dinheiro

A possível ocultação de patrimônio é outra frente da Operação Clones II. De acordo com as informações divulgadas pela PF, existem indícios de que terceiros possam ter sido utilizados para movimentar recursos ou adquirir bens com valores incompatíveis com a renda formal dos investigados.

A análise de documentos, registros financeiros e dados armazenados em equipamentos eletrônicos deverá contribuir para rastrear o dinheiro, identificar possíveis beneficiários e dimensionar o alcance das operações suspeitas.

O valor de R$ 3 milhões corresponde ao montante que pode estar relacionado às movimentações sob investigação, e não a um prejuízo definitivamente comprovado.

Quais crimes podem ser atribuídos aos investigados?

Conforme a Polícia Federal, os fatos apurados podem resultar em responsabilização por estelionato, falsificação de documento público, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual e as provas reunidas.

A Operação Clones II tem como objetivo aprofundar a coleta de evidências e esclarecer o funcionamento do suposto esquema financeiro.

As investigações permanecem em andamento. O cumprimento de mandados e a adoção de medidas cautelares não significam condenação. A responsabilidade criminal de cada investigado dependerá das provas produzidas e da decisão da Justiça.

Do PASSAPORTE