Ex-banqueiro estaria convencido de que permanecerá preso e, segundo interlocutor de sua defesa citado pela Veja, teria enviado recado ao STF envolvendo possíveis revelações sobre autoridades
A crise em torno do caso Banco Master ganhou um novo capítulo nesta semana. Segundo reportagem publicada pela revista Veja na sexta-feira (18), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria feito chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recado de que poderia revelar informações sobre pessoas influentes caso a situação de sua família e sua própria prisão não sejam solucionadas.
De acordo com a publicação, Vorcaro estaria particularmente irritado com a permanência de seu pai, Henrique Vorcaro, na prisão. O empresário, segundo a Veja, enfrenta problemas de saúde e sua defesa busca uma prisão domiciliar humanitária.
A revista atribui as informações a um interlocutor da defesa de Vorcaro. Segundo esse relato, o ex-banqueiro estaria convencido de que foi abandonado no sistema prisional e teria afirmado possuir documentos, fotografias e registros de pagamentos que poderiam esclarecer relações mantidas com integrantes de instituições do poder em Brasília.
É importante destacar que essas afirmações fazem parte de relatos atribuídos à defesa e não significam que os supostos fatos tenham sido comprovados ou que as pessoas mencionadas tenham cometido irregularidades.
DELAÇÃO JÁ HAVIA ENTRADO NO RADAR
A possibilidade de uma colaboração premiada de Vorcaro já vinha sendo discutida no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo informações divulgadas recentemente, versões de uma proposta de delação chegaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal, mas não houve acordo.
Reportagem do UOL informou que nomes de integrantes do STF apareceram em versões anteriores do material apresentado por Vorcaro, embora as referências a alguns deles tenham sido retiradas da versão final. O veículo também informou que as menções não significavam, por si só, acusações de crimes ou favorecimento por parte dos ministros citados.
O episódio aumentou a atenção sobre as relações do ex-banqueiro com autoridades e pessoas próximas a integrantes dos Poderes da República.
CRISE CHEGOU AO SUPREMO
O caso ganhou uma dimensão institucional maior depois que o ministro André Mendonça, que atuava na relatoria do caso Master, retirou o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero que continha mensagens atribuídas a Vorcaro e a um número associado ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a Agência Brasil, foram identificadas cerca de 50 mensagens trocadas antes da prisão do ex-banqueiro. Em uma delas, Vorcaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações e mencionava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Agência Brasil ressaltou que não havia indícios de que Gonet ou Rodrigues tivessem interferido nas investigações.
A divulgação do material provocou uma disputa dentro do próprio Supremo sobre os limites e a condução das investigações.
PRISÃO E PEDIDO DE LIBERDADE
Enquanto a crise institucional se desenvolve, a defesa de Vorcaro tenta obter sua liberdade.
Na sexta-feira (18), os advogados protocolaram pedido dirigido ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitando a revogação da prisão preventiva. A defesa argumenta que a indefinição sobre a condução dos processos relacionados ao caso Master não pode resultar na manutenção indefinida da prisão.
Segundo a Agência Brasil, os advogados sustentam que Vorcaro está preso há mais de 90 dias sem que um recurso pela soltura tenha sido analisado pelo Supremo. A defesa também afirma que os processos relacionados à Operação Compliance Zero ficaram paralisados após pedido de vista do ministro Flávio Dino em sessão realizada no dia 15 de setembro.
A Agência Brasil informa ainda que Vorcaro está atualmente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em área destinada a presos especiais.
Novo depoimento pode aumentar a pressão
Outro ponto que chama atenção é a investigação envolvendo Henrique Vorcaro, pai de Daniel.
Segundo a Veja, a Polícia Federal marcou para 30 de setembro o interrogatório do empresário. O depoimento deverá abordar referências a grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”, apontados na reportagem como estruturas que teriam atuado para espionar e intimidar adversários da família Vorcaro.
O depoimento poderá acrescentar novas informações às investigações, embora seu conteúdo ainda não seja conhecido.
Um caso que ultrapassou o banco Master
O episódio deixou de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras do Banco Master. A disputa passou a envolver questões sobre relações entre empresários, advogados, autoridades e integrantes de instituições públicas.
Ao mesmo tempo, a defesa de Vorcaro tenta utilizar o impasse processual no Supremo para questionar a continuidade da prisão preventiva. A defesa argumenta que a indefinição sobre quem deve conduzir os procedimentos não pode impedir a análise do pedido de liberdade.
As supostas ameaças de novas revelações, por sua vez, acrescentam um componente político-institucional ao caso. Até o momento, porém, eventuais documentos ou informações que Vorcaro afirma possuir precisam ser analisados pelas autoridades competentes e submetidos à devida comprovação.
O caso Master permanece, assim, no centro de uma disputa que envolve investigação criminal, questionamentos sobre relações entre agentes públicos e privados e uma batalha jurídica pela liberdade do ex-banqueiro.
Do PASSAPORTE com informações da Revista Veja
