Cerca de 7 mil trabalhadores cruzam os braços por tempo indeterminado. Banpará fica fora da paralisação após acordo coletivo
A greve dos bancários começou oficialmente nesta sexta-feira (4) no Pará e deve provocar alterações no atendimento presencial de agências bancárias em diferentes municípios do Estado. Aproximadamente 7 mil bancários e bancárias participam do movimento, que foi deflagrado por tempo indeterminado após a categoria rejeitar a proposta apresentada nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A paralisação alcança trabalhadores de bancos públicos e privados, com exceção do Banpará. Entre as instituições que podem ter o atendimento presencial afetado estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Bradesco, Itaú e Santander. A extensão da paralisação pode variar de uma agência para outra.
A decisão foi tomada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Bancários do Pará na noite de 31 de agosto. Segundo a entidade, 91,6% dos participantes votaram pela greve, enquanto 6,82% foram contrários e 1,51% optaram pela abstenção.
Por que a categoria entrou em greve?
O principal motivo da paralisação é a rejeição da proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante as negociações salariais.
A proposta previa reposição da inflação medida pelo INPC mais 0,6% de ganho real em 2026 e 2027, com aplicação do mesmo índice a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O Sindicato dos Bancários do Pará, porém, avaliou que a proposta não atende às reivindicações da categoria. Entre as questões colocadas nas negociações estão reajuste salarial, condições de trabalho, manutenção de empregos e preocupações relacionadas ao fechamento de agências e redução do quadro de funcionários.
O movimento foi formalmente comunicado à população por meio de edital publicado pelo sindicato, conforme determina a legislação para a deflagração de uma greve.
BANPARÁ NÃO PARTICIPA DA GREVE
Uma das principais exceções no Pará é o Banpará, que não aderiu à paralisação.
Os funcionários do banco estadual aprovaram uma proposta específica de Acordo Coletivo de Trabalho, encerrando as negociações com a instituição. A proposta negociada pelo Banpará incluiu, entre outros pontos, INPC mais 1,83% de ganho real em 2026, limitado a reajuste total de 6%, ou a aplicação da proposta da Fenaban, prevalecendo o que for mais vantajoso. Para 2027, foi previsto INPC ou Fenaban, também com ganho real de 2%, conforme as condições negociadas.
Com isso, os empregados do banco ficaram fora da greve iniciada nesta sexta-feira.
O que muda para os clientes?
O impacto mais imediato deve ocorrer no atendimento presencial nas agências que aderirem ao movimento. Serviços que dependem diretamente de funcionários podem ter espera maior ou ficar temporariamente indisponíveis.
Por outro lado, a greve dos bancários não significa que o sistema bancário inteiro ficará paralisado.
Os clientes devem continuar podendo utilizar, conforme a disponibilidade de cada instituição:
- Pix;
- aplicativos dos bancos;
- internet banking;
- caixas eletrônicos;
- centrais telefônicas;
- correspondentes bancários;
- outros canais digitais de atendimento.
A recomendação é priorizar os canais eletrônicos e evitar deslocamentos desnecessários às agências durante a paralisação.
Contas continuam vencendo
Um dos principais cuidados para consumidores e empresas é não presumir que a greve suspende automaticamente os vencimentos.
Contas de água, energia, telefone, boletos, financiamentos, tributos e outras obrigações continuam tendo seus prazos próprios, salvo eventual orientação específica da instituição ou do credor.
Por isso, quem possui pagamentos programados para os próximos dias deve utilizar os canais digitais disponíveis e, quando necessário, antecipar pagamentos para evitar juros, multas ou outros encargos.
O Pix permanece como uma das principais alternativas para transferências e pagamentos eletrônicos, inclusive em períodos de indisponibilidade do atendimento presencial. A Febraban também orienta clientes a utilizarem os canais oficiais das instituições financeiras.
Greve ocorre às vésperas do feriado de 7 de Setembro
A paralisação começa em um momento particularmente sensível para os clientes dos bancos. Na próxima segunda-feira (7), será feriado nacional da Independência do Brasil e não haverá atendimento bancário presencial.
Segundo orientação da Febraban, as agências estarão fechadas no feriado e o atendimento presencial será retomado na terça-feira (8), onde não houver feriado local. O Pix continuará funcionando normalmente.
Na prática, portanto, clientes paraenses que precisam resolver alguma pendência presencial terão uma janela ainda mais restrita de atendimento neste início de greve.
Negociações podem mudar o cenário
A greve não tem prazo determinado para terminar. A duração dependerá da evolução das negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos.
O Pará se tornou, nesta sexta-feira, um dos primeiros estados a iniciar uma greve por tempo indeterminado dentro da atual Campanha Nacional dos Bancários. Outros estados também avaliam ou programam paralisações em diferentes datas, ampliando a pressão sobre as negociações nacionais.
Para o consumidor, a orientação neste momento é simples: dar preferência aos canais digitais, antecipar pagamentos quando possível, guardar comprovantes das operações e procurar informações diretamente nos canais oficiais de seu banco.
A equipe do Jornal PASSAPORTE acompanha a evolução da greve e das negociações e atualizará as informações sobre o funcionamento das agências e eventuais acordos que possam levar à suspensão do movimento.
Da Redação do Jornal PASSAPORTE com informações do Sindicato dos Bancários do Pará e da Febraban – Federação Brasileira de Bancos/Foto: Agência Brasil
