Nunca vi tamanha desconfiança, diz especialista em STF sobre caso Lulinha

PGR pede remessa de inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva à 1ª instância, gerando embate com André Mendonça e tensão interna no tribunal; tema é discutido durante o WW

A PGR (Procuradoria-Geral da República) enviou ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido para que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja investigado na primeira instância, fora do STF. Para o jornalista e pesquisador do STF Felipe Recondo, ao WW, o clima de desconfiança é o mais intenso que já observou na Corte.

Lulinha é atualmente alvo de três inquéritos que tramitam na Corte. A manifestação, enviada sob sigilo, chegou ao ministro logo após a abertura de uma das investigações.

O procurador-geral Paulo Gonet alega que nenhum dos envolvidos possui foro privilegiado e que, portanto, o caso deveria ser julgado na primeira instância. Lulinha responde a três inquéritos por corrupção e tráfico de influência em órgãos do governo federal.

Anomia institucional e perspectivas

Felipe Recondo utilizou o termo “anomia” para descrever o cenário atual — palavra que, como destacado durante o debate, significa em sociologia a ausência de normas e do respeito a qualquer tipo de convivência regulada.

Para o pesquisador, o clima de desconfiança é o mais intenso que já observou no STF. “É desconfiança dentro do tribunal, é desconfiança do ministro relator em relação à PGR, à Polícia Federal e vice-versa”, afirmou.

Recondo alertou ainda para um cenário potencialmente mais grave: caso o nome de um ministro do STF apareça formalmente nas investigações, o tribunal enfrentará um “estremecimento total”.

Ele ponderou que, sem um diálogo institucional mínimo entre os atores envolvidos, as investigações dificilmente chegarão a um desfecho adequado.

“O melhor cenário seria que houvesse um saneamento desse processo, mas não é isso que a gente está vendo e, sinceramente, não é isso que eu espero”, concluiu.

Da CNN Brasil/Foto: Reprodução