A operação extrema confiança, que desarticulou um esquema que movimentou mais de R$ 440 milhões e fez cerca de 300 vítimas no Piauí e no Maranhão colocou em evidência um golpe que tem se tornado cada vez mais comum no país: criminosos que se apresentam como traders ou especialistas em investimentos para convencer pessoas a entregar dinheiro com a promessa de lucros rápidos e garantidos.
Mas afinal, o que é um trader?
O trader é um profissional ou investidor que compra e vende ativos financeiros, como ações, moedas, commodities e criptomoedas, buscando obter lucro com as oscilações do mercado financeiro no curto prazo. Segundo o assessor de investimentos Bruno Giordano, um trader sério trabalha em um mercado de renda variável, onde existem ganhos e perdas.
“A profissão de trader é uma atividade séria. Quando um profissional se apresenta, ele mostra tanto os ganhos que obteve com a estratégia que aplica quanto as perdas. É um profissional respeitável no mercado. O problema é que, atualmente, golpistas passaram a usar o nome “trader” para dar credibilidade aos golpes que pretendem aplicar”, destacou.

Como funciona o golpe do falso trader?
De acordo com o delegado Luciano Alcântara, da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os golpistas utilizam a imagem de sucesso financeiro para conquistar a confiança das vítimas. Nas redes sociais, exibem carros importados, viagens internacionais, relógios de luxo e uma rotina de riqueza para convencer as pessoas de que possuem uma estratégia infalível de investimentos. Depois, oferecem aplicações com promessas de rentabilidade muito acima da realidade do mercado. Entre as promessas mais comuns estão ganhos de 10%, 20% e até 50% ao mês, sempre apresentados como garantidos. Segundo o delegado, esse é justamente o principal sinal de alerta.
“Quando alguém oferece um rendimento de 10%, 20% ou 30% ao mês, isso é impossível e insustentável. Seria como dizer que uma pessoa investiria R$ 10 mil e dobraria esse capital em menos de um ano. Se isso fosse verdade, todo mundo investiria na mesma empresa”, disse.
Ainda segundo o delegado, muitos desses golpes funcionam por meio do chamado esquema Ponzi, uma modalidade de fraude semelhante à pirâmide financeira.
Nesse modelo, o criminoso promete administrar o dinheiro da vítima e pagar rendimentos mensais. No entanto, esses pagamentos não vêm de investimentos reais, mas do dinheiro depositado por novos participantes.
“Enquanto entram novos investidores, o esquema continua funcionando. Quando o fluxo de dinheiro diminui, os pagamentos deixam de acontecer e o golpe é descoberto. Esse tipo de crime tem se tornado cada vez mais sofisticado e frequente”, completou.

Como investir com mais segurança
O especilista Bruno Giordano, aponta que o primeiro passo antes de entregar dinheiro a qualquer pessoa é verificar se o profissional ou empresa possui autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por regulamentar e fiscalizar o mercado de capitais brasileiro.
“O ideal é procurar um profissional certificado. Existem assessores de investimentos, consultores de investimentos, planejadores financeiros e escritórios de investimentos. Sempre pesquise se aquele profissional possui certificação e especialização no assunto, porque essa é a melhor forma de se resguardar. Além disso, procure instituições credenciadas e fiscalizadas pela CVM. Um escritório de investimentos, por exemplo, é fiscalizado periodicamente pela CVM justamente para verificar se está executando seu trabalho da melhor maneira possível. Portanto, a melhor forma de investir é buscar conhecimento. Estudar é fundamental na hora de investir e também para não cair nos contos do vigário, que aparecem todos os dias e a todo momento. Dinheiro fácil não existe. Investimento é construção de patrimônio, exige tempo, planejamento e acompanhamento profissional”, pontuou.
O que fazer se cair em um golpe?
Caso a pessoa perceba que foi vítima de fraude, a orientação da Polícia Civil é reunir toda a documentação possível, como comprovantes de transferências, contratos, extratos bancários, conversas por aplicativos de mensagens e e-mails. Em seguida, deve registrar um boletim de ocorrência e procurar a Polícia Civil para que as investigações sejam iniciadas.
“O aconselhável é comparecer a uma delegacia de polícia ou procurar o Ministério Público para informar o ocorrido. Tudo isso pode servir como prova de que houve um negócio e que os pagamentos prometidos deixaram de ser realizados”, concluiu.
Do Portal Cidade Verde
