Big Techs: Alcolumbre aciona jurídico e avalia suspender decretos de Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)  • Carlos Moura/Agência Senado

 

Consultoria Jurídica do Senado vai estudar se presidente da República extrapolou prerrogativas ao editar medidas sobre atuação de plataformas digitais no Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mandou a consultoria jurídica da Casa analisar se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) extrapolou prerrogativas do Executivo federal ao editar dois decretos que atualizam a regulamentação do Marco Civil da Internet.

Um dos decretos estabelece diretrizes para a proteção de mulheres na internet e para o enfrentamento da violência contra mulheres em ambiente digital. O outro impõe regras mais rígidas para provedores de aplicações, exigindo canal de denúncias, representante legal no Brasil e permitindo a remoção de conteúdos criminosos sem ordem judicial.

Na prática, as novas regras impostas pelo governo ampliam a responsabilidade das plataformas digitais, as chamadas big techs, na remoção de conteúdo criminoso e exigem ações preventivas contra fraudes e violência. Especialistas em direito digital alertam que o texto contém conceitos vagos que abrem brechas para a censura.

O senador Magno Malta (PL-ES) apresentou dois projetos de decreto legislativo para tentar derrubar as medidas adotadas pelo presidente da República. Segundo ele, os decretos restringem a liberdade de expressão.

“Como no Brasil não tem ordenamento jurídico, não tem respeito, cada um escreve o que quer, do jeito que quer, eu digo: o Executivo e o Supremo Tribunal Federal são os componentes majoritários desse consórcio que manda e desmanda, que faz e desfaz, e que não respeita o ordenamento jurídico”, declarou.

Os dois decretos presidenciais também geraram reação na Câmara, onde também há iniciativas em tramitação com o mesmo teor.

“Eu vou conversar com o presidente [da Câmara] Hugo Motta, porque efetivamente um projeto de decreto legislativo votado na Câmara precisa obrigatoriamente ser votado no Senado. E, assim vice-versa, um projeto de decreto legislativo votado no Senado precisa obrigatoriamente ser votado na Câmara”, explicou Alcolumbre.

Embora seja um instrumento constitucional, o decreto legislativo para derrubar ato do Executivo é considerado uma medida rara e que gera debates jurídicos sobre a separação dos Poderes. Muitas vezes a discussão vai parar no STF (Supremo Tribunal Federal).

Da CNN Brasil, São Paulo