Montagem narra conflitos familiares dentro da família Dedomini, no contexto da dominação austríaca na Lombardia, na ItáliaFoto: Bruno Cecim / Ag. Pará
Obra original do paraense Meneleu Campos volta ao palco do ‘Da Paz’ nos próximos dias 24 e 26 de maio, o festival celebra 25 anos em 2026.
A abertura da 25ª edição do Festival de Ópera do Theatro da Paz, na noite desta sexta-feira (22), aconteceu em grande estilo com a estreia mundial da ópera “Os Heróis”. A composição do paraense Meneleu Campos retrata conflitos familiares em um drama ambientado na cidade de Milão, na Itália, em março de 1848, durante a dominação austríaca na Lombardia. Outro momento especial da noite foi a homenagem para figuras emblemáticas da história do festival.
Uma placa comemorativa pelos 50 anos de trabalhos prestados foi entregue em mãos ao cenotécnico e cenógrafo Ribamar Diniz pelos 52 anos de atuação profissional; ao iluminador Rubens Almeida, pelo 25 anos; à professora e pianista da orquestra sinfônica, Ana Maria Adade; ao maestro do coro, Vanildo Monteiro e ao criador do festival de ópera, Gilberto Chaves.
Foto: Bruno Cecim / Ag. ParáO diretor cênico de “Os Heróis”, Flávio Leite destacou sobre o retorno do festival. “Para mim, especialmente, é uma alegria muito grande voltar ao festival agora como diretor cênico da montagem. Eu já participei de edições anteriores como cantor lírico e voltar nesse momento de comemoração de 25 anos é uma alegria gigantesca”.
“Todos nós, envolvidos com a montagem, estamos completamente apaixonados pela música dessa obra. Eu ouso dizer que é uma das óperas de compositores brasileiros e estes, especialmente, paraenses, mais bonitas que eu já ouvi. É realmente uma música fortíssima, inspiradora, com melodias lindas que a gente sai do teatro cantando, mesmo ouvindo pela primeira vez”, conclui o diretor.
Foto: Bruno Cecim / Ag. Pará
A narrativa se desenrola dentro da família Dedomini, no contexto da dominação austríaca na Lombardia. O conde Folco permanece fiel ao governo invasor, enquanto seus filhos aderem à luta pela libertação italiana. Ao mesmo tempo, nasce o romance proibido entre Alessandra, filha do conde, e o oficial austríaco Max Von Danka.
A soprando solista Thayna Sousa falou sobre a construção de sua personagem. “Exigiu muita responsabilidade e dedicação por não ter gravação, não ter referência, exige um estudo histórico, linguístico, para além da partitura. São informações que se conectam ao trabalho de pesquisa, é muito mais profundo do que qualquer outro que já exista”, explica.
Foto: Bruno Cecim / Ag. Pará
“Eu faço uma personagem feminina, que para sua época é muito firme, decidida. Ela escolhe o caminho dela, paga o preço. Se trata também de um empoderamento feminino, ainda que em 1848, ela é bem consciente de todo o processo”, disse a intérprete.
Celebração – A diretora geral e de produção do festival, Nandressa Nunez, comenta a programação. “É um ano especial de muitas formas, serão 31 dias intensos, abrindo hoje com ‘Os Heróis’ e vamos fechamos com uma ópera que dispensa apresentações, que é ‘La Traviata’, no meio ainda temos ‘La Serva Padrona’, teremos a Amazônia Motirô, que está ganhando o título de ópera moderna, além disso dois grandes recitais e um concerto lindo”, adianta.
O maestro Miguel Campos Neto rege a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz que completa 30 anos em 2026 Foto: Bruno Cecim / Ag. Pará
Miguel Campos Neto, maestro da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e diretor artístico do festival, diz que 2026 é um ano simbólico. “É o ano de dupla felicitação, são 25 anos do Festival e 30 anos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz. Esse festival não seria o mesmo sem a orquestra e a orquestra não seria a mesma sem o festival. Então é uma relação muito boa que essas duas entidades têm, uma joga a outra pra cima, é um círculo virtuoso” afirma.
A professora aposentada Sônia Lima se emocionou ao assistir ‘Os Heróis’. “Eu adorei, dá pra você assistir de olhos fechados e consegue sentir o que está acontecendo no palco. Isso é importante, saber transmitir a emoção através da voz. E a história em si, os conflitos, a conquista de uma terra, o orgulho e ao mesmo tempo a perda de um amor”, conta.
Foto: Bruno Cecim / Ag. Pará
O Festival de Ópera do Theatro da Paz é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Academia Paraense de Música. A estreia dessa edição foi transmitida pela TV Cultura e pelo canal de YouTube da Secretaria de Estado de Cultura.
Texto: Juliana Amaral, Ascom Secult

