Prefeitura derruba chiqueiro irregular no canal do Mata Fome

Ação no Tapanã desobstrui o canal após chuvas intensas e integra força-tarefa que já retirou mais de 800 toneladas de lixo da área

Após um fim de semana marcado por chuvas históricas que impactaram milhares de moradores, a Prefeitura de Belém intensificou ações emergenciais para minimizar os efeitos do volume elevado de água na capital. Entre as medidas reforçadas está a desobstrução de canais e a retirada de estruturas irregulares que comprometem o escoamento das águas, especialmente em áreas críticas da cidade, como um chiqueiro construído dentro do canal do Mata Fome, na rua Santo Antônio, no bairro do Tapanã. Localizado em uma área conhecida como Morro do Macaco, a estrutura foi demolida na tarde desta quarta-feira (22).

A construção em concreto no leito do canal teria sido usada para a criação de porcos e obstruía a passagem da água, agravando os alagamentos registrados após as fortes chuvas do último fim de semana.

A determinação para a retirada do chiqueiro partiu do prefeito, Igor Normando, após várias denúncias de moradores e vistoria no local. A ação foi executada por equipes da Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel).

Com a remoção completa da estrutura, o fluxo da água começou a ser restabelecido ainda durante operação intensiva de desobstrução. O canal recebe águas de vindas de diferentes locais, como os canais do Iara, Parque União e um braço de rio na rua São Vicente de Paulo, o que reforça a importância da desobstrução para evitar novos alagamentos.

“Prefeitura veio retirar o chiqueiro para não prejudicar mais ninguém”, avaliou Carlos Mendes irmão do dono do espaço. Crédito: Paula Lourinho

De acordo com Carlos Mendes, irmão do responsável pelo chiqueiro, o local estava abandonado há anos e não era mais utilizado para criação de animais.

“Ele comprou esse terreno com a intenção de criar porco, mas há cerca de dois anos parou, porque toda vez que enchia, precisava retirar os animais. Não dava mais para manter. O espaço já estava abandonado há muito tempo. Agora a prefeitura veio retirar o chiqueiro para escoar a água do canal e não prejudicar mais ninguém”, afirmou.

Força-tarefa segue com limpeza de lixão irregular

Paralelamente à demolição, a gestão municipal mantém uma força-tarefa de limpeza em um lixão irregular de grandes proporções localizado nas proximidades do canal São Joaquim. A ação segue por tempo indeterminado, com várias equipes atuando diariamente na retirada de resíduos.

Até o momento, já foram retiradas mais de 800 toneladas de lixo e cerca de 120 caçambas de entulho do local, que foram destinadas ao Aterro do Aurá. O acúmulo de resíduos foi apontado como um dos principais responsáveis pelo represamento da água, contribuindo diretamente para os alagamentos que afetaram cerca de 44 mil pessoas na capital — sendo aproximadamente 13 mil desalojadas ou desabrigadas — após chuvas que ultrapassaram os 150 mm em menos de 24 horas, consideradas as mais intensas já registradas na cidade, e que provocaram alagamentos generalizados em bairros como Pratinha, Tapanã e São Clemente.

Segundo o coordenador de macrodrenagem da Superintendência de Drenagem Urbana e Saneamento Integrado (Suds), vinculada à Sezel, Marcos Carvalho, a operação abrange toda a bacia do Mata Fome, que possui aproximadamente 12 quilômetros de extensão.

“A operação que estamos realizando não se limita ao canal principal, mas envolve toda a bacia do Mata Fome, que recebe águas de outros canais, como os do Iara e Parque União. Encontramos aqui um grande ponto de obstrução, com um chiqueiro dentro do canal, que estava segurando a água e agravando os alagamentos em áreas como São Clemente e adjacências”, explicou o coordenador.

Marcos Carvalho também destacou a estrutura mobilizada para a ação e a continuidade dos trabalhos.

“Estamos com uma força-tarefa composta por cerca de 120 trabalhadores, três equipamentos e 25 caçambas atuando desde segunda-feira (20) e continua por tempo indeterminado. Tudo o que for irregular e estiver impactando diretamente o canal será retirado e esse serviço está sendo tratado com prioridade”, afirmou.

Ainda segundo o coordenador, a retirada do chiqueiro faz parte de um conjunto de medidas emergenciais para garantir o escoamento adequado das águas e reduzir os riscos de novos alagamentos. Ele ressaltou que a construção era irregular e o responsável já havia sido notificado antes da demolição.

A força-tarefa no Mata Fome é tratada como prioridade absoluta dentro do decreto de situação de emergência em Belém. Além de determinar a desobstrução imediata do canal, o prefeito Igor Normando também anunciou o início da primeira etapa de macrodrenagem do Mata-fome e a pavimentação de 40 vias no bairro do Tapanã que serão iniciadas até o final do mês de abril.

 

Fonte: Agência Belém

Crédito: Paula Lourinho