Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que apresentou renao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo
Senadores rejeitaram pedido de 72 horas extras para a defesa do presidente e aprovaram, por unanimidade, as provas apresentadas pela comissão de acusação.
O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña para adiar em 72 horas o julgamento do processo de impeachment aberto contra ele. Foram 39 votos contra, três a favor e duas abstenções.
Logo depois, os senadores aprovaram, por unanimidade, a admissão das provas apresentadas pela comissão de acusação da Câmara dos Deputados, dando andamento ao processo. Foram 41 votos favoráveis e nenhum contrário.
Com a decisão, documentos, relatórios e outros registros apresentados pela comissão passam a integrar formalmente o processo. Os senadores também rejeitaram as objeções preliminares da defesa, que questionava a validade das provas.
O que está acontecendo com o presidente do Paraguai?
Peña está no centro da crise bancária que atingiu o Paraguai. Ele é acusado de ter sido conivente com a quebra do banco digital Ueno, que encerrou as atividades e deixou mais de um terço da população paraguaia sem acesso às contas bancárias.
Pressionado pela oposição e isolado entre os próprios aliados, o presidente apresentou uma carta de renúncia na quinta-feira (5), mas o pedido ainda não foi aceito pelo Congresso. (leia mais abaixo)
O processo de impeachment foi aberto na Câmara dos Deputados também na quinta-feira e corre em paralelo ao pedido de renúncia apresentado por Peña. A renúncia não é automática: cabe ao Congresso decidir se aceita ou rejeita o pedido.
Durante a sessão desta sexta, o advogado de Peña, Adolfo Ferrreiro, classificou o processo como irregular devido ao prazo considerado insuficiente para a preparação da defesa. Ele também afirmou que o presidente recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos caso o impeachment seja aprovado.
Cinco fases do impeachment
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Vista geral do Congresso Nacional do Paraguai durante o julgamento de impeachment após a renúncia do presidente Santiago Peña em Assunção, em 6 de novembro de 2026. O presidente paraguaio Santiago Peña, que enfrenta um processo de impeachment em decorrência de um escândalo bancário que afetou milhões de pessoas, solicitou três dias adicionais para se preparar em 6 de novembro — Foto: DANIEL DUARTE / AFP
O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, havia afirmado na quinta-feira a jornalistas que não seria possível concluir o julgamento em apenas um dia. Segundo Núñez, o processo de impechament ocorrerá em cinco fases. A sessão desta sexta foi a segunda fase, e ainda não havia previsão para as outras três sessões.

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