Terceira onda de alertas em uma semana provoca desvios de aeronaves, operações de segurança e preocupação entre autoridades; até agora, nenhum explosivo foi encontrado
A aviação comercial europeia enfrenta uma sequência de alertas de segurança nesta semana. Nesta sexta-feira (6), novas ameaças de bomba foram registradas contra voos e operações aeroportuárias, marcando o terceiro dia de ocorrências do tipo em menos de uma semana. A repetição dos episódios levou autoridades de diferentes países a reforçar os protocolos de segurança e investigar uma possível ação coordenada.
Na quinta-feira (5), dezenas de voos foram afetados por avisos de possíveis explosivos a bordo. Algumas aeronaves precisaram alterar suas rotas e realizar pousos fora do planejamento, enquanto outras receberam escolta de aviões militares durante o deslocamento.
Apesar da mobilização, as inspeções realizadas até o momento não identificaram explosivos ou materiais perigosos. Todas as aeronaves envolvidas nos episódios pousaram em segurança.
AERONAVES DESVIADAS E CAÇAS EM ALERTA
Entre os casos de maior repercussão está o voo da companhia irlandesa Aer Lingus, que saiu de Dublin com destino a Roma. Após receber uma ameaça, o avião foi direcionado para a base aérea militar de Évreux, na região da Normandia, na França.
A aeronave transportava 151 passageiros e seis tripulantes. Todos desembarcaram em segurança, enquanto equipes especializadas iniciaram os procedimentos de inspeção.
Outros episódios envolveram aviões da Ryanair e da Wizz Air. Três aeronaves da Ryanair com destino a Sófia, na Bulgária, receberam ameaças e foram acompanhadas por caças militares. Dois pousaram na capital búlgara, enquanto o terceiro foi encaminhado ao aeroporto de Plovdiv.
Também houve registros envolvendo voos da Finnair, LOT Polish Airlines e outras companhias que operavam rotas entre cidades europeias.
NOVOS ALERTAS NESTA SEXTA-FEIRA
A situação continuou nesta sexta-feira. Na Dinamarca, a polícia abriu investigação sobre ameaças direcionadas ao tráfego aéreo do aeroporto de Copenhague. Apesar disso, a avaliação inicial das autoridades foi de que não havia perigo imediato para os passageiros, e o terminal informou que funcionava normalmente.
Na República Tcheca, foram registrados alertas relacionados a quatro voos com chegada prevista e outros cinco com partida do aeroporto de Praga. Até o momento das informações divulgadas, não haviam sido encontrados dispositivos explosivos nem registrados cancelamentos ou desvios decorrentes desses avisos.
Na França, quatro novas ameaças foram comunicadas contra aeronaves que sobrevoavam o território nacional. Todas conseguiram pousar em segurança.
Na Itália, um voo da Wizz Air que seguia de Praga para Roma precisou ser desviado para Veneza. Já uma aeronave da Ryanair, que fazia a rota entre Roma e Lisboa, motivou uma operação de segurança após o pouso.
SUSPEITA DE AÇÃO COORDENADA
A repetição das ameaças em diferentes países despertou preocupação entre especialistas em segurança. Uma das hipóteses investigadas é a possibilidade de uma ofensiva híbrida, estratégia que pode combinar intimidação, sabotagem, ataques digitais e outras ações destinadas a provocar instabilidade sem necessariamente recorrer a confrontos militares convencionais.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a quantidade de episódios semelhantes e a repetição do modo de atuação levantam suspeitas de uma possível ação articulada.
O chanceler avaliou que a Europa pode estar diante de uma tentativa de agressão híbrida e de guerra psicológica.
Até agora, entretanto, nenhum governo apresentou provas conclusivas sobre a autoria dos alertas. Também não foi confirmada oficialmente a participação de qualquer país ou organização.
Mensagens encaminhadas a aeroportos e companhias aéreas italianas teriam mencionado o grupo denominado Male State. Um representante ligado ao movimento negou envolvimento, e não há confirmação independente de que o grupo tenha participado dos episódios.
INVESTIGAÇÕES E IMPACTOS NA AVIAÇÃO
Embora as ameaças não tenham resultado na localização de explosivos, os procedimentos de segurança provocam consequências importantes para o transporte aéreo.
Cada alerta exige avaliação das autoridades, inspeção das aeronaves e, dependendo da situação, retirada de passageiros e bagagens, alteração de itinerários e mobilização de equipes especializadas.
Os desvios também podem comprometer conexões, provocar atrasos e elevar os custos operacionais das empresas.
A União Europeia acompanha os acontecimentos, mas seu comissário de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, ponderou que ainda é cedo para afirmar se todos os episódios estão relacionados.
A investigação continua em diferentes países, enquanto autoridades aeroportuárias e companhias aéreas mantêm os protocolos de segurança.
Por enquanto, o principal resultado das operações é que, apesar da dimensão dos alertas e da mobilização militar, não houve confirmação de explosivos nas aeronaves atingidas.
Do PASSAPORTE/Foto: Claudia Greco/Reuters
