Levantamento elaborado para Paulo F. Colares reúne dados de 19 institutos e estima 70,9% de probabilidade de vitória do candidato do PL; resultado não representa previsão oficial
A disputa pela Presidência da República entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final com um cenário de equilíbrio relativo nas pesquisas, mas com vantagem para o candidato do PL em um estudo estatístico que reúne levantamentos divulgados até a noite de ontem (23). O documento, intitulado Estudo de probabilidade – 2º turno presidencial 2026: Flávio Bolsonaro (PL) x Lula (PT) – versão 3, foi preparado para Paulo F. Colares, do Clube de Engenharia e atualizado em 23 de outubro, considerando pesquisas divulgadas até as 18h19, no horário de Belém.
A análise reuniu os resultados mais recentes de 19 institutos e aplicou um modelo estatístico para estimar as chances de cada candidato vencer o segundo turno, marcado para domingo (25).
No cenário principal, que atribui pesos diferentes às pesquisas de acordo com o tamanho das amostras, a proximidade da eleição e o desempenho dos institutos no primeiro turno, Flávio Bolsonaro aparece com uma média estimada de 51,39% dos votos válidos, contra 48,61% de Lula.
A partir desses números, o modelo calculou em 70,9% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro e em 29,1% a de Lula. O próprio estudo ressalta, porém, que se trata de uma estimativa estatística, e não de uma previsão oficial ou de uma garantia sobre o resultado eleitoral.
Seis pesquisas divulgadas na sexta-feira
A atualização incorporou seis levantamentos divulgados em 23 de outubro, com resultados distintos, embora a maioria apontasse vantagem numérica para Flávio Bolsonaro nos votos válidos.
Segundo os dados compilados, a pesquisa Vetor/Arrow registrou 52,7% para Flávio e 47,3% para Lula. A Alfa Inteligência apontou 52% a 48%, enquanto a Real Time Big Data apresentou o mesmo placar de 52% a 48%.
A pesquisa Veritá indicou 51,3% para Flávio e 48,7% para Lula. Já o levantamento Ipespe/Abrapel mostrou uma disputa mais apertada, com 50,5% para o candidato do PL e 49,5% para o presidente petista.
Na direção contrária, a Vox Brasil apresentou Lula com 50,6% dos votos válidos, ante 49,4% de Flávio Bolsonaro.
Os percentuais consideram os votos válidos, excluindo brancos e nulos. Os números são resultados dos respectivos levantamentos, e não a contagem de votos efetivamente depositados nas urnas.
Datafolha aponta empate
Entre as pesquisas consideradas no estudo, o Datafolha apresentou empate de 50% a 50% nos votos válidos, com entrevistas realizadas entre 20 e 22 de outubro.
A Quaest, em levantamento de 17 a 20 de outubro, indicou 50,6% para Flávio e 49,4% para Lula, conforme cálculo feito a partir dos totais publicados.
Outros institutos também apontaram diferenças relativamente pequenas entre os candidatos. O Gerp registrou aproximadamente 52,6% para Flávio e 47,4% para Lula nos votos válidos, enquanto a AtlasIntel/Bloomberg apresentou 51,1% a 48,9%.
O conjunto demonstra que, apesar da vantagem atribuída a Flávio na média ponderada, os levantamentos não são unânimes. A Vox Brasil e o Datafolha, por exemplo, indicaram um cenário diferente daquele observado em pesquisas com maior vantagem para o candidato do PL.
Como foi calculada a probabilidade
O estudo utilizou um modelo de simulação estatística conhecido como Monte Carlo, com 100 mil sorteios, para estimar a probabilidade de vitória a partir da média dos resultados das pesquisas.
O método atribuiu pesos aos levantamentos considerando o tamanho das amostras e o tempo transcorrido entre o encerramento das entrevistas e o dia da eleição. Também aplicou um ajuste relacionado à diferença entre o resultado dos institutos no primeiro turno e a vantagem registrada na apuração eleitoral.
No cenário principal, a probabilidade estimada de vitória de Flávio foi de 70,9%. Em uma simulação com menor dispersão estatística, esse índice subiu para 75,4%. Com maior dispersão, caiu para 67,7%.
Essas variações mostram que o resultado depende das premissas adotadas pelo modelo. O documento também reconhece limitações, como a possibilidade de erros sistemáticos nas pesquisas, diferenças entre métodos de coleta e a ausência de incorporação dos efeitos do debate da TV Globo realizado na noite de sexta-feira.
O levantamento ainda registra que as pesquisas finais da Quaest e do Datafolha previstas para sábado, 24 de outubro, não estavam incluídas na versão analisada.
Enquetes nas redes sociais exigem cautela
O documento também examinou enquetes e manifestações digitais envolvendo os dois candidatos. Entretanto, o autor separou esses dados das pesquisas eleitorais registradas, destacando que votações abertas em redes sociais não representam necessariamente o eleitorado brasileiro.
Enquetes desse tipo estão sujeitas à participação voluntária, à concentração de seguidores de determinadas páginas e à mobilização organizada de grupos. Por isso, seus resultados não devem ser interpretados como intenção de voto representativa da população.
O próprio estudo mostra que a inclusão desses números no modelo eleva artificialmente a probabilidade calculada para Flávio Bolsonaro, justamente porque as enquetes analisadas apresentam resultados muito discrepantes e não seguem os mesmos critérios científicos das pesquisas eleitorais.
Por essa razão, o cenário principal mantém como referência o conjunto das pesquisas, ponderado pelo desempenho anterior dos institutos.
Decisão será conhecida nas urnas
Com a votação marcada para domingo, o cenário permanece sujeito a mudanças até a divulgação dos resultados oficiais. Mesmo com a vantagem estatística indicada pelo estudo elaborado para Paulo F. Colares, a diferença entre os candidatos continua relativamente estreita em boa parte das pesquisas.
A estimativa de probabilidade não deve ser confundida com percentual de intenção de voto nem com certeza de vitória. Ela expressa o resultado de um modelo matemático construído a partir de pesquisas disponíveis e de premissas definidas pelo responsável pela análise.
A decisão sobre quem comandará a Presidência da República será determinada pelos votos válidos apurados pela Justiça Eleitoral.

Do PASSAPORTE/Fotos: Reprodução
