Flávio Bolsonaro defende Pix nos EUA e critica tarifas: “pior momento possível”

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez uma defesa enfática do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, durante audiência realizada nos Estados Unidos ontem (7). Na ocasião, o parlamentar também criticou a possibilidade de aplicação de tarifas adicionais de até 25% sobre produtos brasileiros, classificando o cenário atual como “o pior momento possível” para a adoção da medida.

A audiência foi promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por conduzir uma investigação comercial contra o Brasil. Entre os pontos analisados está justamente o Pix, apontado por autoridades norte-americanas como um possível fator de desequilíbrio competitivo no setor de pagamentos digitais.

Durante sua fala, Flávio Bolsonaro rebateu essa avaliação e afirmou que o sistema brasileiro “não é um problema a ser corrigido, mas uma solução”. Segundo ele, o Pix ampliou significativamente a inclusão financeira no país, ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os de baixa renda — ao sistema formal da economia.

O senador também destacou que o crescimento do Pix não prejudicou empresas estrangeiras. Pelo contrário, segundo ele, o sistema funciona de forma complementar aos serviços prestados por bandeiras internacionais de cartões, afastando a ideia de concorrência direta com empresas dos Estados Unidos.

No campo comercial, Flávio fez um apelo direto às autoridades americanas para que reconsiderem a aplicação das tarifas. Ele argumentou que a medida, além de penalizar a economia brasileira, pode gerar efeitos políticos indesejados em meio ao calendário eleitoral no Brasil.

“Impor tarifas neste momento acabaria punindo a população e premiando aqueles responsáveis pelas decisões contestadas”, afirmou. O parlamentar ressaltou que a proximidade das eleições presidenciais torna a medida ainda mais sensível, podendo influenciar diretamente o ambiente político interno.

A proposta de sobretaxa faz parte de uma investigação conduzida com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, que avalia práticas consideradas desleais por parte de parceiros comerciais. Além do Pix, o processo envolve temas como comércio digital, acesso a mercados e políticas ambientais.

Nos bastidores, a discussão também reflete tensões mais amplas nas relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos. Especialistas apontam que o sucesso do Pix — que revolucionou os meios de pagamento no país — passou a ser visto como um elemento de disputa no cenário internacional, especialmente por reduzir a dependência de intermediários tradicionais.

A decisão final sobre a eventual aplicação das tarifas deve ser anunciada ainda neste mês pelo governo norte-americano. Até lá, representantes do setor produtivo brasileiro e autoridades políticas seguem atuando para tentar reverter ou adiar a medida.

Enquanto isso, o debate ganha contornos eleitorais no Brasil, com o tema sendo incorporado ao discurso de pré-candidatos e ampliando sua relevância no cenário político nacional.

Da Agência Pauta Parlamentar com informações do portal Poder 360/Foto: Reprodução Infomoney