Cirurgia de manguito rotador: entenda procedimento feito no ombro de Bolsonaro

Segundo relatórios médicos, operação busca curar dores frequentes sentidas pelo ex-presidente. É preciso ‘religar’ tendões que se soltaram do osso ou reparar ‘rasgos’ nestas estruturas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado na manhã desta sexta-feira (1º) no hospital DF Star, em Brasília, para ser submetido a uma cirurgia no ombro direito. O procedimento tem como objetivo reparar o manguito rotador e outras lesões associadas na articulação.

A intervenção foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro do processo de execução penal em que Bolsonaro cumpre pena. De acordo com a decisão judicial, a necessidade da cirurgia foi comprovada por relatórios médicos que indicam dores intermitentes e recorrentes no ombro, tanto em momentos de repouso quanto durante movimentos.

➡️O manguito rotador é um grupo de quatro músculos e tendões que ajudam a estabilizar e a movimentar a articulação do ombro. Quando o tratamento com fisioterapia e medicamentos não é suficiente, a cirurgia de reparo torna-se o caminho para dar mais qualidade de vida ao paciente.

O que é a cirurgia de reparo do manguito rotador?

 

É um procedimento cirúrgico que tem como objetivo “religar” os tendões que se soltaram do osso ou reparar “rasgos” nestas estruturas. Atualmente, a técnica mais usada pelas equipes médicas é a artroscopia (ou videoartroscopia), a partir da inserção de uma microcâmera em pequenas incisões.

Dependendo da extensão da lesão, é possível optar também pela cirurgia aberta.

Quando a cirurgia é indicada?

 

A indicação ocorre principalmente em três cenários:

  • rupturas completas ou extensas: quando o tendão está totalmente desligado do osso;
  • falha no tratamento conservador: no caso do paciente que não apresenta melhora da dor ou da função após meses de fisioterapia;
  • lesões agudas por trauma: situações nas quais uma queda (ou um esforço súbito) causa a ruptura.
  • Como o procedimento é realizado?

     

    A cirurgia é feita em ambiente hospitalar. O paciente recebe anestesia geral, frequentemente associada a um bloqueio regional, que “desliga” a sensibilidade do braço por algumas horas e garante conforto imediato no pós-operatório.

    Por meio dos pequenos furos, o médico utiliza:

    • shaver: para limpar tecidos inflamados;
    • âncoras: pequenos dispositivos (frequentemente de material absorvível ou polímeros resistentes) que são fixados no osso e possuem fios de sutura de alta resistência para “amarrar” o tendão de volta ao seu lugar original.

     

    Em alguns casos, o médico pode realizar procedimentos adicionais, como a acromioplastia (raspagem de um osso para dar mais espaço ao tendão).

    Quantas horas dura o procedimento?

     

    O ato cirúrgico propriamente dito varia entre 60 a 120 minutos, dependendo da complexidade e do número de tendões afetados.

    Quais são os riscos?

     

    Embora seja uma cirurgia tecnicamente complexa, os riscos são considerados baixos — incluem infecção, rigidez do ombro, falha da cicatrização do tendão e, mais raramente, trombose ou complicações anestésicas.

    Os hospitais adotam protocolos rigorosos para evitar infecções.

    Como funciona a recuperação?

     

    O paciente precisa ter disciplina:

    • Tipoia: O uso é obrigatório por 4 a 6 semanas para proteger a cicatrização do tendão no osso.
    • Fisioterapia: Começa geralmente nas primeiras semanas para evitar a rigidez (ombro congelado), evoluindo para ganho de força.
    • Pausa em atividades diárias: O retorno a elas ocorre, em média, entre 2 e 3 meses após o procedimento. Atividades de impacto ou que exigem muito do braço costumam ser liberadas após 6 meses.

     

Por Redação g1

Jair Bolsonaro — Foto: EPA via BBC