VARIABILIDADE GEOGRÁFICA APRESENTA DIFERENÇAS DE POTENCIAL NEUROTÓXICO E PÕE EM XEQUE TRATAMENTO COM ÚNICO ANTIVENENO COMERCIAL
O estudo apresenta a influência da variabilidade geográfica sobre o perfil neurotóxico de venenos, mostrando que cascavéis de diferentes regiões do Brasil podem apresentar acentuadas diferenças quanto ao seu potencial neurotóxico.
Portanto, o tratamento de vítimas de acidentes ofídicos requer droga específica em relação as subespécies, sendo atualmente restrito ao soro anti-Crotalus que é produzido apenas a partir do veneno da subespécie de nome científico Crotalus durissus (C.d) terrificus.
Pesquisa desenvolvida na Unoeste, em Presidente Prudente, estudou outras cinco subespécies distribuídas no território nacional: C. d. durissus, C. d. marajoensis, C. d. ruruima, C. d. colillineatus e C. d. cascavella.
Importante contribuição do estudo consistiu em relevar que a droga varespladib apresentou melhor desempenho do que o antiveneno comercial utilizado no tratamento para C.d. colillineatus, C.d. terrificus e C.d. Cascavella.
AUTORA DO ESTUDO É BIOMÉDICA
A pesquisa foi desenvolvida pela biomédica Poliana de Jesus Demico junto ao Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, pelo qual a universidade oferta mestrado, doutorado e pós-doutorado. A orientação foi do professor Dr. Rafael Stuani Floriano.
Levada à defesa pública, a dissertação recebeu aprovação da banca composta pela avaliadora interna Dra. Rosa Maria Barilli Nogueira e pelo avaliador externo (on-line), Dr. Kristian Alberto Torres Bonilla, da Unicamp.
Conforme o orientador, o isolamento geográfico destas subespécies influencia a composição dos seus venenos, diminuindo ou potencializando seu efeito neurotóxico; o que pode afetar a eficiência da soroterapia.
A relação humana do estudo está no fato de que os envenenamentos por cascáveis (gênero Crotalus) representam um problema de saúde pública no Brasil: por ano são cerca de 12% dos acidentes ofídicos, ficando atrás apenas dos acidentes por jararacas (Gênero Bothrops).
CASCAVÉIS SÃO MAIS LETAIS
Os acidentes por cascavéis são os mais letais dentre os acidentes por animais peçonhentos que ocorrem no país. O tratamento é restrito ao soro anti-Crotalus que é produzido apenas a partir do veneno da subsespécie Crotalus durissus terrificus.
Porém existem outras 5 subespécies distribuídas pelo país afora, de tal forma que a contribuição social do estudo foi desvendar o perfil neurotóxico delas, com diferentes potências neurotóxicas em produzir paralisia neuromuscular.
Condição que se constitui no fenômeno clínico acentuado nas vítimas deste envenenamento, que leva à insuficiência respiratória e morte, de acordo com o orientador e o que constatou a orientada no decorrer da pesquisa de mestrado.
O veneno da C. d. cascavella, da região nordeste, apresentou maior potência neurotóxica. Além disso, o estudo mostrou que o antiveneno comercial pode ser ineficaz em neutralizar o efeito neuromuscular em acidentes por C. d. colillineatus, da região centro-oeste; e C. d. ruruima, da região norte.
MELHOR DESEMPENHO
O estudo relevou que a droga varespladib, um anti-inflamatório usado como droga de repropósito em estudos com venenos animais, teve melhor desempenho do que o antiveneno comercial de C.d. colillineatus, C.d. terrificus e C.d. Cascavella.
Porém, de acordo com o estudo, falhou em proteger o efeito neuromuscular do veneno da C.d. ruruina. A variabilidade geográfica sobre o perfil neurotóxico destes venenos mostra que cascavéis de diferentes regiões do Brasil podem apresentar acentuadas diferenças quanto ao seu potencial neurotóxico.
Diante do que, o antiveneno comercial pode não ser eficaz em neutralizar o veneno de subespécies geograficamente distantes da subespécie precursora C. d. terrificus; de acordo com o estudo que apresenta a droga varespladib como promissora.
“Por serem majoritariamente compostos por fosfolipases A2, estes venenos podem ser melhor neutralizados com varespladib, que se apresenta como promissora ferramenta terapêutica para a prática clínica em quadros de envenenamentos por cascavéis”, diz o Dr. Rafael.
Poliana de Jesus Demico, egressa do curso de Biomedicina da Unoeste na turma de 2023, é especialista em vigilância laboratorial em Saúde Pública, pelo Instituto Adolfo Lutz e foi aprovada para receber o título de mestra em Ciência Animal.
Da Imprensa Unoeste
