Espanha aprova regularização em massa de imigrantes sem documentos; veja as regras

Medida foi aprovada nesta terça-feira (14) e deve beneficiar mais de 500 mil pessoas. Proposta teve apoio da Igreja Católica e ONGs, mas enfrenta críticas da oposição

O governo da Espanha aprovou na terça-feira (14) uma regulamentação extraordinária para conceder autorizações de residência e trabalho a cerca de meio milhão de migrantes em situação irregular que já vivem no país.

Muitos são latino-americanos, incluindo brasileiros. Eles atuam em setores como agricultura, turismo e serviços — áreas consideradas pilares da economia espanhola.

Segundo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, a regularização reconhece direitos de pessoas que já vivem no país e que “contribuem para a prosperidade e coesão” da Espanha.

Veja as regras:

  • Ter chegado à Espanha antes de 1º de janeiro de 2026.
  • Comprovar ao menos cinco meses de residência contínua no país.
  • Atender requisitos de emprego, laços familiares ou vulnerabilidade.
  • Não ter antecedentes criminais.
  • Fazer agendamento online a partir de 16 de abril.
  • Comparecer a entrevista presencial, disponível a partir de 20 de abril.

O governo prevê analisar os pedidos em até dois meses e meio, independentemente da nacionalidade. Os aprovados receberão autorização de residência e trabalho, além de um número de Segurança Social e acesso ao sistema público de saúde.

Ainda segundo o governo, a autorização de residência terá validade de um ano, podendo ser prorrogada.

A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migração, Elma Saiz, afirmou que até 30 de junho serão instalados postos de atendimento da Segurança Social e dos Correios em todo o país para receber as solicitações.

REGULARIZAÇÃO POR NECESSIDADE

Sánchez defendeu a medida como um ato de justiça e também de necessidade, em contraste com políticas mais restritivas adotadas em outros países europeus. Segundo ele, a iniciativa ajuda a enfrentar a falta de mão de obra.

A proposta foi defendida por organizações humanitárias e recebeu apoio da Igreja Católica e de empresários.

Em carta à população, o premiê afirmou que a medida reconhece a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte do cotidiano do país — cuidando de idosos, trabalhando e abrindo negócios.

Sánchez também citou o passado migratório dos espanhóis, que deixaram o país rumo à América e a outros países europeus em busca de melhores condições de vida.

Para ele, a regularização também é necessária diante do envelhecimento da população. De acordo com o premiê, por causa da falta de trabalhadores, a economia perde dinamismo e serviços públicos, como saúde e previdência, são pressionados.

O premiê reforçou que imigrantes devem ter direitos, mas também cumprir obrigações, como o pagamento de impostos.

CRÍTICAS

O Partido Popular (PP), principal força de oposição, criticou a medida e a classificou como “desumana” e “injusta”. O líder da legenda, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que a regularização pode favorecer o crime organizado e apontou falhas nos mecanismos de controle.

Ele também disse que a decisão contraria o Pacto Europeu para Migração e Asilo, apoiado pela maioria no Parlamento Europeu.

O partido Vox, de extrema direita, lançou uma campanha sobre as consequências da imigração “em massa” e informou que vai recorrer ao Supremo Tribunal para tentar suspender a medida.

Sindicatos policiais também criticaram o processo. Segundo as entidades, a aprovação ocorreu sem participação das forças de segurança e pode aumentar riscos de fraude e falhas na verificação de identidade e antecedentes.

Do G1