Ipespe prepara primeira pesquisa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro

Levantamento nacional será divulgado no sábado e promete medir o novo cenário da disputa presidencial após a apertada vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

A corrida pela Presidência da República entra em uma nova fase e terá, no sábado (10), um dos primeiros levantamentos nacionais de intenção de voto do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) prepara a primeira pesquisa específica da nova etapa da eleição. A informação foi divulgada pela revista CartaCapital nesta quarta-feira (7). O levantamento será realizado por telefone, com 1.500 entrevistas, e terá margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

As entrevistas foram realizadas entre terça (6) e quinta-feira (8), e o resultado está previsto para ser conhecido no sábado. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-00933/2026.

Disputa começa com Flávio na frente

O segundo turno será realizado em 25 de outubro, depois de uma eleição marcada por uma diferença pequena entre os dois candidatos.

Na votação de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença foi de apenas 1,87 ponto percentual.

O resultado modificou o ponto de partida da disputa. Durante boa parte da campanha do primeiro turno, pesquisas apontavam Lula à frente ou em situação de empate técnico com o candidato do PL.

Agora, com apenas dois nomes na disputa, os institutos terão de medir principalmente a capacidade de cada candidato de incorporar os votos que foram destinados aos demais concorrentes, além do comportamento dos eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou anularam o voto.

Pesquisa chega em meio a cenário apertado

O levantamento do Ipespe será acompanhado com atenção porque será um dos primeiros retratos da disputa depois da definição dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno.

Antes da votação, a última pesquisa Datafolha apontava Lula com 45% dos votos válidos contra 42% de Flávio no primeiro turno. Na simulação de segundo turno daquele levantamento, Lula tinha 48%, contra 45% do senador.

Já a pesquisa CNT/MDA divulgada na véspera da votação indicava Lula com 47,3% e Flávio Bolsonaro com 43,1% em um eventual segundo turno.

Os números das urnas, porém, mostraram uma fotografia diferente: Flávio terminou o primeiro turno na frente e levou para a segunda etapa uma vantagem de quase dois pontos percentuais.

Abstenção também entra no radar

Outro fator que pode influenciar a nova rodada de pesquisas é o elevado número de eleitores que não compareceram às urnas.

Especialistas ouvidos após o primeiro turno destacaram que a abstenção pode ter desempenhado papel importante na vantagem obtida por Flávio Bolsonaro. Segundo dados analisados pelo cientista político Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, o senador recebeu 56,1 milhões de votos, equivalentes a 35,34% do eleitorado apto, enquanto Lula obteve 53,9 milhões, ou 33,94% dos eleitores aptos.

A questão agora é saber se esse comportamento se repetirá no segundo turno ou se a disputa direta entre Lula e Flávio estimulará a participação de eleitores que ficaram fora da primeira votação.

Primeiro grande termômetro da nova disputa

A pesquisa Ipespe, portanto, não deve ser encarada como previsão do resultado, mas como um retrato do momento em que o eleitorado brasileiro começa a escolher entre apenas duas alternativas para a Presidência.

O resultado também poderá indicar se a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro nas urnas representa uma tendência de crescimento consolidada ou se Lula conseguirá recuperar terreno na reta inicial do segundo turno.

Com a campanha entrando em uma fase de confronto direto, cada ponto percentual passa a ter peso maior. E, diante de uma diferença inferior a dois pontos no primeiro turno, a transferência dos votos dos candidatos derrotados, a rejeição, a mobilização das bases políticas e o comportamento dos eleitores indecisos deverão ser decisivos.

O Jornal PASSAPORTE acompanhará a divulgação dos números do Ipespe e a evolução da disputa presidencial até a votação de 25 de outubro.

Do PASSAPORTE/Foto: Reprodução