Presidente nacional do PSDB havia anunciado que ficaria fora das eleições de 2026, mas voltou atrás após pressão de lideranças políticas e confirma candidatura à Casa Alta
O presidente nacional do PSDB, deputado federal e ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, mudou de estratégia e confirmou ontem (28) que será candidato ao Senado pelo estado nas eleições de 2026. A decisão recoloca o tucano no centro da disputa eleitoral mineira e o coloca como único candidato à Casa Alta na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que concorre ao governo estadual.
Aécio havia anunciado, no início de agosto, que não disputaria nenhum cargo eletivo neste ano. A decisão representaria a primeira vez em quatro décadas de trajetória política em que ele ficaria fora de uma eleição. O recuo ocorreu depois de uma articulação envolvendo dirigentes partidários, prefeitos, parlamentares e outras lideranças mineiras que defendiam sua presença na corrida pelo Senado.
Ao confirmar a mudança de planos, Aécio afirmou que tomou a decisão por entender que poderia contribuir diretamente para os interesses de Minas Gerais no Congresso Nacional.
“Mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais”, afirmou o tucano ao anunciar a candidatura.
Vaga foi aberta após desistências
A entrada de Aécio na chapa de Kalil tornou-se possível depois da retirada das candidaturas de Marcelo Heringer, do PDT, e Gustavo Galassi, do PSDB, que estavam registrados para a disputa pelo Senado.
As desistências foram protocoladas na Justiça Eleitoral em 26 de agosto. Com a abertura da vaga, as direções estaduais do PDT e da Federação PSDB-Cidadania passaram a defender publicamente que Aécio reconsiderasse a decisão de não concorrer.
Em nota conjunta, os partidos argumentaram que Minas Gerais precisaria de uma representação no Senado com capacidade de articulação política, especialmente diante dos desafios fiscais enfrentados pelo Estado.
A estratégia também encontrou respaldo dentro do grupo político de Kalil. Aécio passa, assim, a integrar formalmente a composição que apoia o candidato do PDT ao governo mineiro.
Como Aécio conseguiu entrar na disputa após o prazo?
O prazo para o registro ordinário das candidaturas terminou em 15 de agosto. Entretanto, a legislação eleitoral permite a substituição de candidatos que tenham renunciado, desde que respeitados os prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
No caso das eleições de 2026, a substituição pode ocorrer até 20 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Assim, o prazo para a troca se estende até 14 de setembro. É por esse mecanismo que a candidatura de Aécio está sendo formalizada.
O registro da candidatura já havia sido oficializado no sistema da Justiça Eleitoral, embora a atualização do nome na plataforma de divulgação de candidaturas ainda estivesse em andamento no momento da confirmação divulgada pelo Poder360.
Aécio mira o Senado e a reorganização do centro político
Ao justificar a candidatura, Aécio também relacionou sua decisão à possibilidade de exercer maior influência política a partir do Senado e de participar da construção de um projeto nacional de centro.
O tucano afirmou que, caso eleito, pretende usar também a posição de presidente nacional do PSDB para fortalecer uma alternativa política que classifica como moderada, sem alinhamento aos extremos que atualmente dominam parte do debate nacional.
A volta ao Senado também representa o retorno de Aécio à Casa onde exerceu mandato entre 2011 e 2019. Antes disso, governou Minas Gerais por dois mandatos, entre 2003 e 2010.
Reviravolta mexe com a corrida eleitoral em Minas
A entrada de Aécio altera uma disputa que já apresentava elevado grau de competitividade. Levantamentos recentes mostram Marília Campos (PT) numericamente à frente na corrida pelas duas vagas ao Senado, enquanto outros candidatos aparecem tecnicamente próximos em diferentes pesquisas.
No cenário para o governo de Minas, Alexandre Kalil também enfrenta uma disputa difícil. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 27 de agosto apontou Cleitinho Azevedo (Republicanos) com 33% das intenções de voto, seguido por Patrus Ananias (PT), com 15%, e Kalil, com 13%.
Aécio entra, portanto, em uma corrida já marcada por mudanças de candidaturas, alianças e forte disputa pelo eleitorado de centro.
A confirmação da candidatura transforma novamente o tabuleiro eleitoral mineiro e dá à chapa de Kalil um dos nomes de maior peso histórico da política de Minas Gerais. A partir de agora, a presença de Aécio no Senado passa a ser uma das principais apostas do PSDB para ampliar sua representação nacional e recuperar espaço político no Estado.
Da Redação do Jornal PASSAPORTE com informação e foto do Poder 360
