Em queda livre, Parauapebas é ultrapassada por Canaã e Marabá nas exportações do Pará

Durante anos, Parauapebas foi o principal símbolo da força mineral do Pará. Líder absoluta nas exportações estaduais, a Capital do Minério construiu sua economia sobre uma das maiores províncias minerais do planeta. No entanto, os números do primeiro semestre de 2026 mostram uma mudança histórica: pela primeira vez em muitos anos, o município caiu para a terceira colocação entre os maiores exportadores do estado.

O deputado federal Keniston  Braga, o mais votado no município e um dos líderes de votação espontânea para a Câmara no Pará, em pesquisas recentes, pede que moradores da cidade atentem para a situação. Ele cita um levantamento elaborado pelo economista Wesley Oliveira. O profissional é parceiro do Portal Pebinha de Açúcar. Com base nos dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do sistema Comex Stat, o estudo revela que Canaã dos Carajás assumiu a liderança com US$ 3,6 bilhões em exportações. Marabá aparece em segundo lugar, com US$ 2,2 bilhões, enquanto Parauapebas registrou US$ 1,8 bilhão no período.

Keniston lamenta que a perda do protagonismo econômico coincida com uma administração municipal que enfrenta sucessivas crises políticas, administrativas e sociais. Nos últimos meses, a Prefeitura promoveu uma demissão em massa de servidores, que pode chegar a 800 pessoas. “Essa medida provocou forte repercussão na cidade e levantou questionamentos sobre a situação financeira do município. Mesmo sendo um dos maiores arrecadadores de royalties da mineração no país”, constata Keniston.

Ao mesmo tempo, a rede municipal de ensino vive um ambiente de tensão, com professores ameaçando deflagrar greve diante do impasse nas negociações com o governo municipal. O cenário reforça a percepção de dificuldades na condução administrativa e amplia o desgaste junto ao funcionalismo público.

No campo político, o prefeito Aurélio Goiano também enfrenta um momento de isolamento. Lideranças que integravam sua base de apoio passaram a adotar posições independentes, enquanto setores da sociedade têm demonstrado crescente insatisfação com a condução da gestão. Analistas políticos observam que esse isolamento se reflete tanto na relação institucional quanto na redução do apoio popular percebido em diferentes segmentos da população, o que   vem sendo confirmado por  pesquisas de opinião.

Outro episódio que ganhou repercussão estadual e nacional foi a polêmica envolvendo declarações e posicionamentos da administração municipal em relação à Vale durante a COP30, amplamente noticiados pela imprensa. O episódio elevou a tensão institucional entre o município e a principal empresa responsável pela atividade econômica local, alimentando debates sobre os impactos desse relacionamento para o ambiente de investimentos e para a imagem de Parauapebas.

É importante destacar que a queda para a terceira posição nas exportações não significa que Parauapebas tenha deixado de ser uma potência mineral. O município continua entre os maiores exportadores do Brasil e mantém participação expressiva na produção de minério de ferro. Ainda assim, o simbolismo da perda da liderança é inegável.

Mais do que uma simples mudança estatística, o novo ranking evidencia que Parauapebas já não concentra sozinho o protagonismo econômico da região de Carajás. Enquanto municípios vizinhos ampliam investimentos, fortalecem sua participação nas exportações e consolidam novas oportunidades de desenvolvimento, Parauapebas atravessa um período marcado por desafios administrativos, tensão política e questionamentos sobre os rumos da gestão municipal.

Fonte e imagem: Agência Pauta Parlamentar