Encontro entre EUA e Irã previsto para esta sexta (19) na Suíça é cancelado

Comunicado do Ministério das Relações Exteriores suíço acontece após a Casa Branca anunciar que o vice-presidente americano, JD Vance, havia desistido da viagem ontem

O Ministério das Relações Exteriores suíço informou que as negociações que estavam previstas para esta sexta-feira (19) entre os EUA e o Irã no resort de Burgenstock, na Suíça, não acontecerão. O anúncio veio depois que um porta-voz da Casa Branca afirmou, na noite de ontem (18), que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia desistido de uma viagem planejada para se encontrar com negociadores iranianos na Suíça na sexta-feira, com o objetivo de iniciar as conversas sobre a implementação do acordo firmado entre Teerã e Washington para pôr fim à guerra.

“Como o vice-presidente disse em sua coletiva de imprensa, os planos para as próximas conversas técnicas não foram finalizados e a delegação dos EUA estava preparada para partir na primeira oportunidade disponível. Mas a logística dessas negociações nunca foi simples ou previsível”, disse o porta-voz em um comunicado.

“Até o momento, o vice-presidente não partirá esta noite. Informaremos assim que tivermos uma atualização concreta sobre o próximo passo. Aguardamos ansiosamente o início das conversas técnicas o mais breve possível”, acrescentou o porta-voz.

Vance estava programado para viajar à Suíça para uma cerimônia oficial de assinatura do memorando de entendimento na sexta-feira.

Na manhã de quinta-feira, o vice-presidente afirmou que pretendia viajar à Suíça para a assinatura presencial do acordo, embora tenha reconhecido que a data ainda era incerta.

Vance acrescentou que as negociações técnicas para finalizar o acordo deveriam começar neste fim de semana e disse que “certamente planejava” liderar a equipe de negociação dos EUA.

Mais cedo, o vice-presidente americano afirmou que as negociações de 60 dias com Teerã haviam começado ontem.

O processo ocorre em meio a críticas internas nos Estados Unidos sobre os termos do acordo firmado entre os dois países.

Vance defendeu publicamente o memorando assinado, afirmando que chegou o momento de verificar se o Irã irá negociar “de boa fé”.

A mesma posição foi reiterada pelo presidente americano, Donald Trump, no dia anterior.

Ambos responderam a questionamentos sobre a efetividade do acordo, inclusive vindos de dentro do próprio Partido Republicano.

CRÍTICAS AO ACORDO E DEFESA AMERICANA

Entre as principais objeções ao memorando está a avaliação de que ele seria mais vantajoso para o Irã do que para os Estados Unidos, sem alterar substancialmente a situação preexistente entre os dois países no que diz respeito ao programa nuclear iraniano.

Além disso, o acordo prevê a criação de um fundo de US$ 300 bilhões em investimentos destinados à reconstrução do Irã, bem como a retomada da exportação de petróleo pelo país.

Em coletiva de imprensa realizada na Casa Branca, Vance afirmou que os Estados Unidos estão confiantes em sua capacidade de rastrear os recursos obtidos pelo Irã com a venda de petróleo, de modo a verificar se esse dinheiro está sendo utilizado para financiar grupos considerados terroristas.

Ele também reconheceu que ainda é cedo para determinar quem financiará o fundo de US$ 300 bilhões e como exatamente ele funcionará.

TENSÃO COM ISRAEL

Vance também direcionou críticas a Israel. O acordo prevê o encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e exige a retirada das tropas israelenses do território libanês. Israel, no entanto, já declarou que não cumprirá essa exigência, mesmo após a assinatura do acordo com os Estados Unidos.

Vance afirmou que Israel, assim como todos os demais envolvidos no processo, precisa respeitar os termos acordados, e acrescentou que os bombardeios israelenses no Líbano prejudicaram, em diversas ocasiões, as negociações pela paz com o Irã.

O cenário atual é marcado por questionamentos sobre a viabilidade do acordo e comparações com tratados anteriores entre Washington e Teerã, gerando debate sobre se os novos termos representam um avanço em relação à situação que existia antes do início do conflito.

Da CNN Internacional