Lula mira microempreendedores e prepara pacote que pode mudar regras do MEI

Governo estuda ampliar teto, facilitar contratações e turbinar incentivos em ano estratégico

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um novo pacote de benefícios voltado aos microempreendedores individuais (MEIs), em uma ofensiva clara para fortalecer o setor e ampliar sua base de apoio econômico e político.

A iniciativa, que vem sendo desenhada dentro do Ministério do Empreendedorismo, inclui mudanças estruturais nas regras do MEI — entre elas, a atualização do teto de faturamento e novas possibilidades de contratação de funcionários.

Teto do MEI pode subir após anos congelado

Um dos principais pontos em discussão é o aumento do limite de faturamento anual do MEI, atualmente fixado em R$ 81 mil há mais de uma década. A equipe do governo avalia elevar esse teto para algo entre R$ 120 mil e R$ 130 mil, atendendo a uma demanda antiga do setor produtivo.

A proposta busca corrigir a defasagem causada pela inflação e permitir que pequenos negócios cresçam sem serem automaticamente desenquadrados do regime simplificado.

Governo quer permitir mais contratações

Outro eixo do pacote envolve mudanças nas regras trabalhistas para microempreendedores. A possibilidade de autorizar a contratação de um segundo funcionário já está sendo estudada como forma de compensar impactos de mudanças na jornada de trabalho e estimular a geração de empregos.

Hoje, o MEI pode contratar apenas um empregado — limitação que, segundo o governo, trava a expansão de pequenos negócios em setores como comércio e serviços.

Incentivos e digitalização entram no pacote

O plano também prevê ampliação de programas de incentivo ao empreendedorismo, com foco em capacitação, acesso ao crédito e digitalização dos serviços públicos.

Iniciativas recentes do governo já caminham nessa direção, com programas que integram tecnologia, simplificação burocrática e apoio direto aos mais de 16 milhões de MEIs no país.

Medida ocorre em meio a estratégia mais ampla

O movimento do Planalto ocorre dentro de um contexto maior de políticas econômicas voltadas a diferentes segmentos da população. Em 2026, o governo já reúne centenas de bilhões de reais em programas sociais e estímulos econômicos, mirando desde a população de baixa renda até empresários.

Nesse cenário, os microempreendedores surgem como peça-chave: representam uma das maiores forças de trabalho do país e um eleitorado relevante.

PRESSÃO POR MUDANÇAS CRESCE

Atualmente, o modelo do MEI segue como a principal porta de entrada para formalização de pequenos negócios no Brasil, oferecendo benefícios como CNPJ, emissão de notas fiscais e acesso à Previdência.

No entanto, o limite de faturamento defasado e as restrições operacionais vêm sendo alvo de críticas recorrentes — o que aumenta a pressão para que o governo avance rapidamente com as mudanças.

PRÓXIMOS PASSOS

A expectativa é que o pacote seja finalizado e apresentado oficialmente nos próximos meses. Algumas medidas dependem de aprovação no Congresso Nacional, o que pode influenciar o ritmo de implementação.

Enquanto isso, o governo tenta equilibrar estímulo econômico, impacto fiscal e estratégia política em um momento decisivo.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE com informações do Poder 360