Nação Tucano e Nação Gavião se unem em um espetáculo inédito que marca o primeiro Festival de Toadas do Arraial de Belém
Evento inédito reúne 14 grupos em duas grandes nações: Tucano e Gavião. Espetáculo celebra as raízes amazônicas e valoriza a identidade cultural paraense. A apresentação ocorrerá no dia 26 de junho, a partir das 19h, na praça Waldemar Henrique.
O Arraial de Belém 2026, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), será palco de um momento histórico para a cultura popular amazônica: o primeiro Festival de Toadas do município. A programação integra o calendário oficial dos festejos juninos da capital, o evento reúne 14 grupos de toada de Belém e da Região Metropolitana em um formato inédito, valorizando a manifestação cultural que há quase três décadas preserva tradições, fortalece identidades e mobiliza centenas de artistas e brincantes.
As apresentações serão no dia 26 de junho, a partir das 19h, na praça Waldemar Henrique. Os grupos deixarão de se apresentar individualmente para compor dois grandes espetáculos coletivos: a Nação Tucano e a Nação Gavião. A proposta nasceu a partir de um diálogo entre os próprios grupos e a Secult, resultando em uma experiência inédita para o público e para os artistas envolvidos.
Crédito: Paula Lourinho

Crédito: Paula Lourinho

Além das apresentações de toadas, a programação reunirá 129 propostas culturais, entre quadrilhas juninas, bois-bumbá, pássaros juninos, cordões de bichos, grupos parafolclóricos, grupos de carimbó e misses, fortalecendo a cadeia produtiva da cultura local e ampliando o acesso da população às manifestações tradicionais da Amazônia.
Para a secretária municipal de Cultura, Raphaela Segadilha, a realização do festival representa um importante marco para a cultura paraense.
“Realizar o primeiro Festival de Toadas dentro do Arraial de Belém é um marco para a cultura da nossa cidade. Estamos reconhecendo e dando visibilidade a uma manifestação artística que há décadas preserva as tradições amazônicas, fortalece a identidade cultural paraense e mobiliza centenas de artistas, brincantes e comunidades. A Prefeitura de Belém tem o compromisso de incentivar e fortalecer essas expressões culturais para que continuem vivas e cada vez mais presentes na vida da população”, destaca a secretária.
História e tradição
Embora ainda pouco conhecida por parte do público em geral, a toada é uma das mais importantes expressões culturais da Região Metropolitana de Belém. Inspirados nas tradições indígenas, no folclore amazônico e nos elementos tribais da região Norte, os grupos de toada unem música, canto, dança, interpretação e figurinos para contar histórias que valorizam a cultura e a identidade amazônicas.
Crédito: Paula Lourinho

Crédito: Paula Lourinho

Segundo o vice-presidente da Associação de Grupos de Toada do Pará (AGTPA), Cristiano Bernardo Pacheco, o movimento construiu, ao longo dos anos, uma identidade própria dentro do cenário cultural paraense.
“Os grupos de toada representam uma importante manifestação cultural de Belém e do Estado do Pará. Esse movimento surgiu a partir da valorização das tradições amazônicas, especialmente das referências indígenas, folclóricas e tribais. Ao longo dos anos, os grupos desenvolveram uma identidade própria, consolidando-se como um segmento cultural único que promove dança, música, inclusão social e valorização da cultura paraense”, afirma.
A história do movimento começou na década de 1990. O primeiro grupo oficialmente reconhecido surgiu em 1996, no município de Ananindeua, com o nome Boi Garanhoso, fundado por Graça Vieira. No ano seguinte, surgiram os grupos Boi Danadinho e Porantin, que ajudaram a consolidar uma nova proposta artística baseada nos universos tribal e folclórico.
“Atualmente, os grupos são formados por bailarinos, coreógrafos, produtores culturais, artistas, músicos, figurinistas e colaboradores voluntários. Além do trabalho artístico, muitos desenvolvem atividades comunitárias e de formação cultural, envolvendo crianças, jovens e adultos em seus bairros de atuação”, explica Cristiano Pacheco.
Como funcionam as apresentações
As apresentações dos grupos de toada são verdadeiros espetáculos cênicos. Cada grupo desenvolve uma temática inspirada em elementos da cultura amazônica, das tradições indígenas, das lendas regionais e das questões sociais e culturais da região Norte.
Os espetáculos reúnem dança, música, interpretação e recursos visuais para construir narrativas apresentadas ao público em forma de espetáculo.
Ainda segundo Pacheco, a dança é um dos pilares dessa manifestação cultural.
“As apresentações utilizam quatro grandes eixos coreográficos: o Tribal, o Bailado Corrido, o Folclórico Nortista e o Contemporâneo. As coreografias são executadas ao som das toadas, que conduzem toda a narrativa apresentada na arena ou no palco. Música, canto, dança e interpretação trabalham juntos para transmitir a mensagem e a temática de cada espetáculo”, ressalta.
Antes do grande dia, confira nos vídeos a seguir uma amostra do talento e da energia das duas agremiações que prometem emocionar o público no Arraial de Belém.
Agremiação Nação Tucano
Agremiação Nação Gavião
Festival reunirá cerca de 150 brincantes
Neste ano, cerca de 150 brincantes estarão em cena no primeiro Festival de Toadas do Arraial de Belém. Cada grupo reúne entre 10 e 45 integrantes, entre bailarinos, artistas e equipe de apoio.
Participam do primeiro Festival de Toadas do Arraial de Belém os grupos que integram as duas grandes agremiações criadas especialmente para o espetáculo. A Nação Tucano, que levará para a arena o tema “Belém Terra de Mairi”, é formada pelos grupos Magia da Toada, Kanamary, Guerreiros do Boi, Ananindense, Decameron, Etnias da Dança, Kananciue, Yanawas e Paykces. E a Nação Gavião, que apresentará o tema “Reino das Águas Sagradas”, reúne os grupos Nossoken, Encantos do Sol, Terra Cabocla, Paraçai e Apurinã.
Juntas, as duas agremiações darão vida ao tema central do festival, “Belém de Todos os Povos”, em um grande espetáculo que celebra a diversidade cultural, as tradições amazônicas e a identidade do povo paraense.
A proposta é criar uma experiência coletiva inspirada nos grandes festivais culturais da Amazônia, fortalecendo ainda mais o movimento das toadas e ampliando sua visibilidade junto ao público.
A emoção de quem vive a toada
Para os brincantes, participar do primeiro Festival de Toadas do Arraial de Belém representa um momento histórico.
Crédito: Paula Lourinho

Integrante da Nação Tucano, Pedro Lucas Lobato Moreira, de 23 anos, dança toada desde 2018 e fará sua estreia no Arraial de Belém.
“É uma emoção muito grande e um privilégio estar aqui pela primeira vez. O Arraial de Belém tem uma energia incrível, e poder fazer parte dessa festa tão importante é motivo de muita alegria e gratidão”, afirma.
Para ele, a toada vai muito além da apresentação artística.
“A toada representa nossa cultura, nossas raízes e a identidade do povo amazônico. É uma forma de contar histórias, transmitir sentimentos e manter vivas as tradições que passam de geração em geração. Também é uma das formas que eu consigo expressar o meu amor por essa cultura”, destaca.
Crédito: Paula Lourinho

Brincante veterana da Nação Gavião, Ellem Vaz, de 22 a nos, afirma que cada apresentação carrega a história de muitas pessoas.
“Quando a gente entra na arena, leva junto a história da nossa comunidade, dos nossos mestres e de todos que ajudaram a construir esse movimento. É uma emoção difícil de explicar e que só quem vive a toada consegue sentir”, conta.
Para ela, a realização do festival representa uma conquista coletiva.
“Ver as toadas ganhando um espaço tão importante dentro do Arraial de Belém mostra que nossa cultura está sendo reconhecida. É uma vitória para todos os grupos e para todos os brincantes que mantêm essa tradição viva há tantos anos”, completa.
Pedro Lucas também destaca a expectativa para o espetáculo.
“A expectativa é a melhor possível. Espero que o público se emocione, cante junto e aproveite cada momento. Estamos preparando tudo com muito carinho para fazer uma apresentação inesquecível no Arraial de Belém”, afirma.
Um marco para a cultura popular
O primeiro Festival de Toadas do município nasce como uma grande celebração da cultura popular amazônica e representa um passo importante para o fortalecimento dessa manifestação artística em Belém.
Além de preservar tradições culturais, o festival amplia a visibilidade dos grupos, incentiva a formação de novos artistas, fortalece vínculos comunitários e contribui para a valorização da identidade cultural paraense.
Crédito: Paula Lourinho

Texto: Marli Portilho
