Prefeitura inicia obras do Novo Mata Fome e beneficia mais de 200 mil

Prefeito Igor Normando assinou a ordem de serviço que dá pontapé inicial às obras que vão transformar a paisagem da bacia do Mata Fome com drenagem, urbanização e recuperação ambiental

Depois de décadas de ruas alagadas, lama, esgoto a céu aberto e a sensação de abandono, moradores da região do Mata Fome, na Pratinha, viveram uma tarde marcada pela renovação da esperança de uma vida melhor nesta segunda-feira (18). Sob aplausos, emoção e expectativa pelas obras, o prefeito de Belém, Igor Normando, assinou a ordem de serviço do Novo Mata Fome, dando início imediato às obras de drenagem e urbanização em uma das áreas historicamente mais castigadas pela falta de saneamento na capital paraense.

Ao lado do vice-prefeito Cássio Andrade, secretários municipais e lideranças comunitárias, Igor Normando foi recebido pela população com emoção. Muitos moradores acompanharam tudo com lágrimas nos olhos e entusiasmo, vendo a possibilidade concreta de transformação social, ambiental e urbana onde vivem milhares de famílias. Serão mais de 200 beneficiados.

O programa representa uma das maiores intervenções de adaptação climática e recuperação ambiental já planejadas para Belém. O objetivo é transformar o Igarapé Mata Fome — símbolo histórico do abandono e da poluição — em referência de recuperação ambiental, dignidade e reparação histórica para a população mais pobre da cidade.

Nesta primeira etapa, 17 ruas foram selecionadas para iniciar os serviços de drenagem e urbanização, seguindo critérios técnicos definidos pela coordenação do programa. As demais vias serão atendidas de forma gradual, até alcançar mais de 40 ruas da bacia do Mata Fome.

Durante o ato, o prefeito Igor Normando destacou que a assinatura da ordem de serviço representa o início de uma transformação aguardada há décadas pelos moradores da região.

“A população esperava. Hoje a espera se torna um serviço imediato. Hoje é a primeira etapa do Novo Mata Fome que se torna realidade. Nós vamos fazer pavimentação e drenagem de mais de 40 ruas no entorno do canal e até o final do ano iniciaremos a segunda etapa, que é justamente a macrodrenagem do canal do Mata Fome, além da urbanização de mais ruas e da construção de um parque linear e um parque popular no coração desta região que sempre careceu de um olhar mais sensível do poder público”, afirmou.

O prefeito também ressaltou que a atual gestão precisou reorganizar todo o projeto antes do início das obras.

“Essa obra foi fruto de um planejamento minucioso da Prefeitura. Agora precisamos reconstruir projetos, fazer novas licitações e reorganizar toda a parte técnica. Mas hoje podemos dizer: vamos começar essa obra e vamos terminar essa obra. Nós vamos entregar uma nova região, reorganizada, urbanizada e digna das pessoas que moram aqui”, completou.

Fim de uma espera de décadas

Morador da Alameda Isabel há 22 anos, Daniel Santos, de 33 anos, contou que já perdeu móveis, eletrodomésticos e até noites de sono por causa dos alagamentos constantes na área.

“É muito sofrimento viver aqui quando chove. A água entra nas casas, a gente perde as coisas e vive sem esperança. Hoje eu vejo que finalmente olharam pra nós. É emocionante saber que meus filhos vão crescer em um lugar melhor”, disse.

A dona de casa Daniele Silva, de 30 anos, moradora da rua Abianca, na comunidade Duas Irmãs, segurava a filha Pérola, de apenas 10 meses, enquanto acompanhava a assinatura da ordem de serviço. Emocionada, ela afirmou que a obra representa dignidade para as famílias da região.

“Minha filha ainda é pequena, mas eu sonho com ela crescendo sem lama, sem doença e sem medo da chuva. A gente esperou muito tempo por isso. Hoje parece que a esperança voltou pra nossa comunidade”, afirmou.

Quem também acompanhou o momento foi Maria Gorgete, de 59 anos, moradora da Rua São Clemente há duas décadas. Ela lembrou das promessas antigas que nunca saíram do papel.

“Já ouvi muita promessa aqui, mas nunca vi máquina chegando e obra começando de verdade. Hoje eu senti confiança. Acho que agora vai mudar mesmo”, declarou.

DRENAGEM E URBANIZAÇÃO

O coordenador geral do Programa de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Mata Fome – PROMMAF, Wilson Neto, destacou que o momento é histórico para Belém e para os moradores da bacia do Mata Fome.

“Hoje é um momento muito aguardado pela comunidade. O prefeito Igor superou todas as etapas burocráticas e técnicas para que pudéssemos chegar à assinatura das ordens de serviço e ao início das obras. A partir de amanhã, começam os serviços preliminares de drenagem, pavimentação, meio-fio e intervenções urbanísticas. Serão mais de 40 ruas atendidas para garantir qualidade de vida e dignidade para a população”, afirmou.

Wilson Neto também explicou que o PROMMAF foi concebido como uma grande obra de adaptação climática, fundamental para reduzir os impactos das fortes chuvas e dos alagamentos que atingem a cidade.

EXECUÇÃO POR ETAPAS

O programa será executado em etapas, seguindo normas internacionais exigidas pelo financiamento do Fonplata, banco multilateral de desenvolvimento formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Inicialmente, será realizada a drenagem e pavimentação das ruas da bacia. Em seguida, terá início a macrodrenagem do canal, prevista para o inicio de 2027.

Entre os principais serviços previstos no Novo Mata fome estão a recuperação do igarapé, sem canalização de concreto; recuperação ambiental da área; reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco; pavimentação e microdrenagem das ruas; além da construção de um parque linear, áreas de convivência, unidade básica de saúde e espaços comerciais.

A gestão municipal também vai iniciar o Plano Específico de Reassentamento (PER), responsável por acompanhar e garantir assistência às famílias que precisarão ser realocadas das áreas de risco. O projeto prevê novas unidades habitacionais, além de estrutura de saúde e comércio para atender os moradores reassentados.

A expectativa é de que mais de 200 mil moradores dos bairros Pratinha, Tapanã, Parque Verde e São Clemente sejam diretamente beneficiados pela obra, considerada uma das mais importantes da história recente de Belém.

Da Agência Belém