Às vésperas da COP31, legado da conferência em Belém reacende debate sobre “economia circular” na Amazônia; confira

Segundo Liu Berman, Presidente do Instituto Reinventando Futuros, o objetivo ainda é construir uma cadeia econômica capaz de manter materiais em circulação, gerar trabalho e distribuir oportunidades.

Os efeitos do El Niño e as consequências climáticas para a reta final de 2026 serão tratados durante a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. A delegação brasileira deve integrar os representantes dos 198 Estados-partes, para debater as matrizes energéticas sustentáveis e o enfrentamento internacional à emissão de gás carbônico.

No entanto, às vésperas da COP31, é necessário revisitar as 56 decisões adotadas por consenso entre as 194 partes na conferência anterior, das quais 24 integram o Pacote Político de Belém. A chamada à atenção aos indicadores brasileiros é da Presidente do Instituto Reinventando Futuros e idealizadora dos Fóruns Regionais de Economia Circular, Liu Berman – que também integrou a delegação da COP30 no Brasil.

Especialista em territórios criativos e sustentáveis, Liu atua há mais de 15 anos na articulação de iniciativas de economia criativa, circular e gestão colaborativa, conectando poder público, empresas, academia e comunidades. “A COP30 colocou a Amazônia no centro das discussões climáticas. Agora precisamos garantir que os territórios também estejam no centro das soluções. Isso significa reconhecer os saberes locais ou como temos aprendido os intelectuais da terra, fortalecer cadeias produtivas e fazer com que a economia circular gere trabalho, renda e oportunidades para quem vive na região”, afirma Liu.

É nesse cenário de acompanhamento das políticas públicas, desenvolvimento dos territórios e continuação da agenda proposta pela “COP30” em Belém, que a região recebe o primeiro Fórum Norte de Economia Circular (FNEC), entre os dias 2 e 4 de dezembro. Os Fóruns Regionais de Economia Circular idealizados por Liu já mobilizaram cerca de 11 mil pessoas e avançam agora para a região Norte, com uma etapa confirmada na capital paraense, reacendendo o debate sobre economia circular nos territórios amazônicos.

Para Liu, as agendas que emergem dos territórios são instrumentos importantes que colocam em evidência questões como: a participação efetiva das populações locais nas decisões, o acesso a recursos e tecnologias, além da capacidade de executar medidas que considerem as realidades socioambientais da região. É nesse contexto que a economia circular, a gestão de resíduos e a inclusão socioprodutiva devem ser discutidas como frentes de ação territorial, e não apenas como compromissos abstratos.

Embora avance com desafios em sua agenda climática, o Brasil já registra conquistas importantes, como a redução de 42% no desmatamento da Amazônia Legal e de 24% no Cerrado, segundo dados do Prodes/Inpe. Para a presidente do Instituto Reinventando Futuros, esses avanços podem ganhar escala com a construção de uma cadeia econômica capaz de manter os materiais em circulação, gerar trabalho e distribuir oportunidades.

“A economia circular na Amazônia precisa partir das condições reais de cada território. Não é possível discutir gestão de resíduos sem considerar a infraestrutura disponível, nem falar em bioeconomia sem reconhecer as pessoas, os conhecimentos e as atividades produtivas que sustentam a região”, explica Liu.

Na visão da especialista, isso exige integrar a coleta seletiva à logística reversa, fortalecer cooperativas de catadores, criar mercados para materiais recuperados e aproximar os conhecimentos tradicionais das estratégias de bioeconomia. Sem planejamento, financiamento e participação social, a transição corre o risco de permanecer restrita às metas institucionais, sem alcançar as populações que convivem diretamente com os impactos ambientais.

“Não basta discutir o futuro da Amazônia em grandes conferências. É preciso criar espaços permanentes de articulação entre comunidades, empresas, governos e instituições de conhecimento. A transformação acontece quando essas agendas se encontram e conseguem construir soluções a partir da realidade de cada território”, conclui Liu Berman.

Em dezembro, Belém receberá a primeira edição do Fórum Norte de Economia Circular, iniciativa do Instituto Reinventando Futuros voltada à escuta e à articulação dos territórios amazônicos. O encontro reunirá comunidades locais, poder público, setor produtivo e academia para compartilhar experiências, fortalecer redes e discutir soluções de economia circular adequadas às realidades da região.

Serviço:

[1º Fórum Norte de Economia Circular]

Quando: 2, 3 e 4 de dezembro (as atividades do dia 2 de dezembro são reservadas a convidados)

Horário: das 9h às 18h (consulte o horário de cada atividade)

Texto: Antônio Anselmo/Foto: Divulgação