Decisão de Zanin gerou revolta entre ministros do TSE, diz jornal

Pela primeira vez na história o horário eleitoral foi estendido

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender por duas horas o horário de votação em todo o país provocou críticas entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acompanhavam a apuração dos votos.

A informação é da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo relatos ouvidos pela coluna, ministros demonstraram irritação com a medida, assinada pouco antes do encerramento previsto da votação, e manifestaram preocupação com possíveis disputas judiciais após o resultado.

– Todos do TSE estão com muita raiva do Zanin, dizendo que ele não podia ter dado essa decisão com meia hora de votação – disse ao blog um ministro que acompanhava a apuração na sede do TSE.

– A impressão é a de que Zanin nunca viu uma urna ao vivo, que ele não sabe que depois que ela emite o relatório de votação, é mecanicamente impossível reabrir a urna – continuou.

A medida foi tomada após o Partido dos Trabalhadores (PT) recorrer ao STF, diante da falta de uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, sobre a possibilidade de ampliar o horário. A votação estava prevista para ocorrer das 8h às 17h, conforme o horário de Brasília.

– Ninguém sabe o que vai acontecer. Todos temem que quem perder questione o resultado – afirmou outro ministro, ao relatar o receio de que a disputa eleitoral tenha continuidade nos tribunais.

O cenário também foi marcado pela incerteza sobre o cumprimento da ordem. Quando algumas seções eleitorais receberam a comunicação, as urnas já haviam sido desligadas, o que dificultou a aplicação da decisão em todo o país.

Diante da situação, Zanin publicou um segundo despacho para esclarecer que a votação deveria continuar apenas nos locais em que as urnas ainda não haviam sido desligadas. A medida buscou delimitar o alcance da ordem inicial.

A decisão aumentou a tensão entre integrantes do TSE e do STF, em meio às divergências políticas entre grupos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ministros temem que questionamentos judiciais sobre o resultado prolonguem o conflito eleitoral.

Do Pleno.News