A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial ganhou novos contornos nesta semana com a adesão de dois candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) decidiram declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para o dia 25 de outubro.
A movimentação amplia o campo de apoio ao candidato do PL justamente no momento em que as duas campanhas buscam conquistar os votos dos eleitores que escolheram outras candidaturas no primeiro turno.
O primeiro anúncio veio de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais. Na segunda-feira (5), ele publicou um vídeo nas redes sociais confirmando que votará em Flávio Bolsonaro. Zema terminou a primeira etapa com 0,27% dos votos válidos, cerca de 326 mil votos.
Ao justificar sua decisão, Zema afirmou que não pretendia permanecer neutro e apresentou a escolha como uma posição de oposição ao PT. O ex-governador também destacou o avanço de forças de direita no Congresso Nacional e defendeu uma agenda de enfrentamento ao governo petista.
A adesão de Zema ganhou peso político principalmente por representar uma aproximação formal entre o candidato do Novo e o grupo bolsonarista. Durante a campanha do primeiro turno, Zema havia procurado apresentar uma candidatura própria dentro do campo da direita e chegou a fazer críticas a Flávio Bolsonaro.
CAIADO TAMBÉM ENTRA NA CAMPANHA
Nesta terça-feira (6), foi a vez de Ronaldo Caiado anunciar oficialmente seu apoio a Flávio Bolsonaro.
Ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, Caiado terminou o primeiro turno na quinta colocação, com 2,18% dos votos válidos, aproximadamente 2,6 milhões de votos.
O anúncio ocorreu em Goiânia, em um encontro que reuniu Flávio Bolsonaro, Caiado e outras lideranças políticas. Ao justificar a decisão, o ex-governador goiano afirmou que seu posicionamento está relacionado à sua trajetória de oposição ao PT.
“Estou aqui para fazer o que é a coerência da minha vida, que é poder derrotar o PT”, declarou Caiado durante o ato.
A declaração chama atenção porque Caiado fez críticas contundentes a Flávio durante a campanha presidencial. Agora, diante da disputa direta entre o candidato do PL e Lula, decidiu integrar a campanha de Flávio no segundo turno.
COVARDES
A posição dos demais candidatos que ficaram fora do segundo turno é diferente.
Augusto Cury (Avante), terceiro colocado, declarou que não apoiará nenhum dos dois concorrentes e decidiu manter uma postura de neutralidade. Renan Santos (Missão), quarto colocado, também informou que não fará campanha para Flávio ou Lula e deixou seus eleitores livres para decidir.
Assim, até o momento, Zema e Caiado são os dois candidatos derrotados no primeiro turno que formalizaram apoio a Flávio Bolsonaro.
APOIOS PODEM PESAR NA RETA FINAL
A importância política dessas adesões está menos na transferência automática dos votos e mais na capacidade de cada liderança mobilizar seus grupos políticos e eleitorais.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente, diferença de menos de dois pontos percentuais. Com o cenário apertado, os votos dos candidatos eliminados ganharam importância estratégica para os dois lados.
A campanha de Flávio passa, portanto, a contar com dois novos nomes de peso no campo da direita. Zema e Caiado, embora tenham obtido votações distintas, podem contribuir para ampliar a mobilização regional e política em favor do candidato do PL.
A corrida presidencial entra agora em uma nova fase, marcada pela tentativa dos dois concorrentes de conquistar os eleitores que não escolheram nenhum deles no primeiro turno. E, nesse cenário, as declarações de apoio de Zema e Caiado colocam mais pressão sobre Lula na disputa pelos votos do campo conservador e de centro-direita.
Do PASSAPORTE
