Parceria com Censipam, Semas, Inmet e Defesa Civil vai monitorar seca, queimadas e eventos extremos; Justiça Eleitoral também terá satélites de baixa órbita em 65 municípios para garantir a transmissão dos resultados
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) montou uma operação especial para reduzir os impactos que as condições climáticas podem provocar nas Eleições Gerais de 2026. A iniciativa, anunciada ontem (1º), reúne órgãos de monitoramento ambiental, meteorológico e de defesa civil para acompanhar, em tempo real, situações que possam interferir na logística do pleito em diferentes regiões do Estado.
A parceria envolve o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Defesa Civil.
A preocupação ganhou dimensão maior diante das previsões para o fenômeno El Niño. Boletim divulgado pelo Inmet no fim de setembro aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, período que inclui a realização do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O monitoramento oficial também aponta possibilidade de intensificação da seca e aumento do risco de fogo na região Centro-Norte do país.
Clima passa a integrar planejamento eleitoral
No Pará, as condições ambientais podem representar um desafio adicional para a Justiça Eleitoral devido à dimensão territorial do Estado e à existência de centenas de comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
A estrutura montada pelo TRE-PA pretende permitir que informações sobre previsão do tempo, condições ambientais, queimadas e possíveis eventos extremos sejam utilizadas no planejamento da operação eleitoral.
Na prática, os dados podem auxiliar na definição e no acompanhamento das rotas utilizadas para transportar urnas eletrônicas, equipes e materiais, especialmente em regiões que dependem de deslocamentos por rios, estradas de terra ou aeronaves.
A logística das eleições no Estado envolve 4.786 veículos terrestres, 1.203 embarcações, sete aviões e seis helicópteros. Ao todo, o Pará terá 22.072 seções eleitorais distribuídas por 5.919 locais de votação.
O Estado possui ainda locais de votação em 58 aldeias indígenas, 95 comunidades quilombolas, 944 localidades ribeirinhas e 2.480 áreas rurais, o que dimensiona a complexidade da operação.
El Niño preocupa órgãos de monitoramento
O fenômeno climático já vinha sendo acompanhado pelos órgãos federais ao longo de 2026. Nota técnica conjunta divulgada pelo Inpe, Inmet, Funceme e Censipam apontou inicialmente aumento da probabilidade de formação do El Niño no segundo semestre. Em junho, uma atualização indicou probabilidade superior a 95% de ocorrência e persistência do fenômeno nos meses seguintes.
O boletim mais recente, divulgado em 30 de setembro, elevou o nível de atenção ao indicar possibilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Entre os impactos monitorados estão a intensificação da seca e o aumento do risco de incêndios em áreas do Centro-Norte brasileiro.
Para a Justiça Eleitoral, o acompanhamento antecipado permite identificar situações capazes de comprometer o deslocamento das equipes ou o funcionamento dos pontos de votação e transmissão.
Satélites de baixa órbita serão usados em 65 municípios
Outra novidade das Eleições 2026 no Pará será tecnológica. O TRE-PA substituirá os antigos terminais BGAN por equipamentos conectados a satélites de baixa órbita (LEO) para transmissão dos resultados em áreas com dificuldades de infraestrutura de comunicação.
A tecnologia será utilizada em 65 dos 144 municípios paraenses. Segundo o TRE-PA, os terminais oferecem maior velocidade e menor latência e são mais adequados para localidades remotas.
Ao todo, o tribunal contará com 476 pontos de transmissão em locais de difícil acesso, além de 1.277 pontos em locais de votação urbanos e 101 pontos instalados nos cartórios eleitorais.
No processo de preparação, o TRE-PA informou ter configurado e testado aproximadamente 750 notebooks e 390 antenas Starlink, que serão utilizadas na estrutura de conectividade do pleito.
Entre os municípios contemplados estão cidades do Marajó, como Afuá, Anajás, Breves, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Portel e São Sebastião da Boa Vista; municípios do Baixo Amazonas, como Alenquer, Almeirim, Juruti, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná e Santarém; além de localidades do sul, sudeste e sudoeste do Pará.
MAIS DE 6,2 MILHÕES DE ELEITORES
A operação ocorrerá em um pleito que terá 6.267.107 eleitores aptos a votar no Pará, segundo os dados apresentados pelo TRE-PA na coletiva desta quinta-feira. Serão seis cargos em disputa, e a estimativa do tribunal é de que cada eleitor leve aproximadamente 94 segundos para concluir a votação.
A Justiça Eleitoral trabalha com uma estimativa de início da entrega dos resultados por volta das 21h30, considerando o primeiro turno e a operação de totalização no Estado.
Além das questões climáticas e tecnológicas, a segurança também integra o planejamento. Os 144 municípios terão cobertura das forças de segurança, sendo que 87 receberão apoio de forças federais e 57 terão reforço da Polícia Militar do Pará.
O TRE-PA já havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral reforço de tropas federais para 91 municípios, abrangendo 69 zonas eleitorais e 1.055 locais de votação.
Com a combinação de monitoramento climático, planejamento logístico, comunicação por satélite e reforço da segurança, a Justiça Eleitoral busca reduzir os riscos de que as características geográficas e as condições ambientais do Pará afetem a realização e a transmissão dos resultados das eleições de 2026.
Do PASSAPORTE/Foto: Reprodução do G1/PA
