Conta residencial de R$ 500 poderá ficar R$ 33,50 mais cara por mês; aumento anual chega a R$ 402
Prepare o bolso. A energia elétrica ficará mais cara no Pará. A ANEEL aprovou o reajuste tarifário anual da Equatorial Pará e o consumidor residencial terá aumento de 6,70%.
Na prática, quem mantém o mesmo consumo deverá pagar mais todos os meses.
Uma conta de R$ 200, por exemplo, poderá passar para cerca de R$ 213,40. Uma fatura de R$ 500 poderá chegar a R$ 533,50. Em 12 meses, neste segundo caso, o impacto estimado é de R$ 402.
O reajuste foi aprovado pela ANEEL em 15 de setembro e começa a ser aplicado após a publicação da decisão no Diário Oficial da União. A chegada do novo valor às contas dependerá do ciclo de faturamento de cada consumidor.
A Equatorial Pará atende aproximadamente 3,12 milhões de unidades consumidoras no Estado.
Aumentou mais que no ano passado
O percentual residencial de 2026, de 6,70%, representa mais que o dobro do reajuste aplicado em 2025, que foi de 3,26%.
O efeito médio do reajuste para todos os consumidores será de 6,94%. Na alta tensão, utilizada por grandes consumidores, o aumento médio chega a 8,09%.
O supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, destaca que o efeito da tarifa não termina na fatura mensal.
“A energia é um insumo presente praticamente em toda a economia. Portanto, além do impacto direto para as famílias, o reajuste pode aumentar os custos das empresas e, em determinadas situações, pressionar os preços de produtos e serviços”, explica.
Veja quanto pode aumentar
Considerando apenas os 6,70% do reajuste residencial:
- R$ 80 → R$ 85,36;
- R$ 100 → R$ 106,70;
- R$ 150 → R$ 160,05;
- R$ 200 → R$ 213,40;
- R$ 250 → R$ 266,75;
- R$ 300 → R$ 320,10;
- R$ 400 → R$ 426,80;
- R$ 500 → R$ 533,50;
- R$ 750 → R$ 800,25;
- R$ 1.000 → R$ 1.067.
O cálculo é uma simulação linear. A conta real pode ser diferente por causa de tributos, bandeiras tarifárias, iluminação pública, Tarifa Social e mudanças no consumo.
Energia já subiu 80% em dez anos
O estudo do DIEESE mostra que, entre 2017 e 2026, a tarifa residencial no Pará acumulou alta de 80,09%.
No mesmo período, o INPC ficou em aproximadamente 56%.
O levantamento aponta que esta é a 28ª revisão ou reajuste tarifário anual desde a privatização da antiga Celpa, em 1998.
Mais pressão sobre quem ganha menos
O reajuste chega quando o orçamento de muitas famílias já está comprometido.
Em agosto, a cesta básica de Belém custou R$ 709,12. O valor correspondia a cerca de 43,75% do salário mínimo, atualmente em R$ 1.621.
Apesar de ter caído 2,07% no mês, a cesta acumulava alta de 6,38% em 2026.
O DIEESE alerta que o peso proporcional do aumento da energia tende a ser maior para famílias de baixa renda, que possuem menos espaço para cortar despesas essenciais.
Empresas também sentem
O aumento não atinge apenas as residências.
Comércio, supermercados, restaurantes, padarias, indústria, mineração, agropecuária e serviços utilizam energia elétrica em suas operações.
Na alta tensão, o aumento médio de 8,09% poderá elevar custos de grandes consumidores e, dependendo da atividade, pressionar margens, investimentos e preços.
O estudo do DIEESE também chama atenção para o contraste do Pará: o Estado é um grande produtor de energia, mas consumidores e empresas locais continuam submetidos a tarifas que pesam no orçamento.
A nova conta começa a aparecer nos próximos ciclos de faturamento após a publicação oficial do reajuste.
Do PASSAPORTE/Foto: Divulgação
