Foto: Ronaldo Ferreira/ CCOM
Último rito da festa reuniu tradição, disputa, música e partilha em Alter do Chão

Para Osmar Vieira, coordenador do Sairé, a derrubada não representa apenas o fim da festa, mas também o início de um novo ciclo.“A derrubada dos mastros fortalece também o Sairé de 2027, porque é o momento em que as bandeiras vão passar para as mãos dos juízes e a responsabilidade também”, destacou.
Neste ano, os mesmos juízes permanecem à frente do rito. Ainda assim, participaram da cerimônia de recebimento das bandeiras, mantendo o simbolismo de continuidade da tradição.


Para Flávia Manuella, saraipora do rito tradicional, a emoção do encerramento está justamente na certeza de que a tradição continua. “Hoje a gente tem a derrubada dos mastros e a varrição. Esse momento encerra, mas hoje não é só o momento de encerramento, é um momento de continuidade para o próximo. O Sairé marca a gente! Cada vez que acontece, ele transforma um pouco de cada um de nós”, declarou, emocionada.
Com os mastros no chão, o barracão, que durante os dias anteriores foi espaço de oração, volta a receber a celebração festiva. É o momento da varrição, quando os foliões percorrem as barracas da praça em busca de doações de mantimentos e bebidas que serão utilizadas na festa. A devoção dá então lugar à alegria coletiva. O público participa de momentos como o Quebra-Macaxeira e a partilha do tarubá, bebida indígena fermentada que se tornou um dos símbolos do Sairé.
Essa tradição atrai visitantes de diversas regiões do país. Entre eles estava a professora Raquel Nascimento, que viajou de Sem-Peixe, em Minas Gerais, para participar pela primeira vez do Sairé. “Primeira vez que eu venho em Alter do Chão. A gente veio especialmente para a festa, para conhecer a tradição. Achei lindo. Foi uma experiência maravilhosa”, contou.


O prefeito Zé Maria Tapajós acompanhou o encerramento e destacou a dimensão econômica alcançada pela festa. Segundo ele, a Prefeitura contratou mais de 80 artistas locais durante a programação, com o objetivo de ampliar a geração de renda e movimentar a economia ligada ao turismo.“Trabalhamos juntos com a comunidade de Alter do Chão para entregar esse evento para todas as pessoas, turistas e visitantes. Cada ano buscamos melhorar mais a estrutura e a segurança”, afirmou.
A realização do Sairé 2026 – “Rêdawa Ancestral”, em Alter do Chão, reafirma a força da cultura, da tradição e da ancestralidade amazônica, tendo como destaques o Rito Tradicional e a apresentação oficial dos Botos Rosa e Tucuxi. O projeto é viabilizado por meio dos mecanismos de incentivo cultural da Lei Rouanet e do Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura, que possibilitam a participação de importantes patrocinadores, como Equatorial Energia, Banpará, Coca-Cola, Amstel, Vivo, Caixa e Companhia Docas do Pará. A iniciativa conta ainda com o apoio da MANÁ Produções, Assessoria Cultural, Borari Produções, Secretaria de Estado de Cultura do Pará e Fundação Cultural do Estado do Pará, e tem realização da Prefeitura de Santarém e da Comunidade de Alter do Chão, fortalecendo uma das mais importantes manifestações culturais do Pará e promovendo a valorização e a salvaguarda dos saberes e tradições do povo Borari.





