O ator e diretor Gracindo Jr. morreu aos 83 anos, na noite de terça-feira (1º), em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo. A causa da morte não foi divulgada pelas fontes que confirmaram o falecimento.
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943, Gracindo Jr. construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à dramaturgia brasileira, com trabalhos no rádio, teatro, cinema e televisão. Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, ele também se tornou um dos nomes importantes da história da televisão no país.
O corpo do artista será cremado nesta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro. O velório está previsto para ocorrer no mesmo local e será aberto ao público.
UMA VIDA DEDICADA À ARTE
Batizado como Epaminondas Xavier Gracindo, o artista entrou em contato com o universo artístico ainda adolescente. Aos 15 anos, fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde seu pai já era uma das grandes estrelas. Na emissora, atuou como ator e também como redator.
Antes mesmo de consolidar sua carreira na televisão, Gracindo Jr. passou pelos palcos. Sua estreia profissional no teatro ocorreu no início dos anos 1960, em uma montagem de “A Escada”, de Jorge Andrade.
Também chegou a cursar Psicologia, mas não seguiu carreira na área. A atuação acabou se tornando o caminho profissional que acompanharia durante toda a vida.
UM DOS PRIMEIROS NOMES DA TV GLOBO
Gracindo Jr. esteve ligado à TV Globo desde os primeiros anos da emissora. Ele participou da inauguração do canal, em 1965, e integrou o elenco de “Rosinha do Sobrado”, segunda novela exibida pela emissora.
Ao longo dos anos, participou de diversas produções que se tornaram referências da teledramaturgia brasileira.
Um de seus trabalhos mais lembrados foi em “O Casarão”, novela de 1976. Na trama, Gracindo Jr. interpretou o pintor João Maciel na primeira fase da história. Anos depois, seu pai, Paulo Gracindo, interpretou o mesmo personagem em sua versão mais velha, criando uma situação rara na televisão brasileira: pai e filho dando vida ao mesmo personagem em diferentes momentos da narrativa.
A produção se transformou em um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira do ator.
DE ATOR A DIRETOR
A contribuição de Gracindo Jr. para a televisão não ficou restrita à atuação. O artista também exerceu funções importantes nos bastidores, especialmente como diretor.
Entre os trabalhos que dirigiu estão produções como “A Sucessora”, “Marron-Glacé” e “Os Trapalhões”, além de ter participado de outros projetos como diretor e supervisor de dramaturgia.
Essa experiência fez com que ele transitasse entre diferentes áreas da televisão, acumulando conhecimento tanto diante quanto atrás das câmeras.
NOVELAS E PERSONAGENS MARCANTES
Durante a carreira, Gracindo Jr. esteve em produções que atravessaram diferentes períodos da televisão brasileira. Entre os trabalhos de destaque estão “O Casarão”, “A Moreninha”, “O Bem-Amado”, “Marquesa de Santos”, “Dona Beija”, “O Salvador da Pátria” e “Celebridade”.
Na década de 1980, consolidou-se também como um dos rostos conhecidos da televisão, participando de novelas e minisséries que alcançaram grande repercussão.
Em “Dona Beija”, exibida pela Manchete em 1986, voltou a chamar atenção do público. Mais tarde, participou de outras produções importantes e manteve presença no audiovisual brasileiro.
Seu trabalho se estendeu ainda ao cinema. Entre os filmes de sua trajetória estão “Primo Basílio”, “Tainá – A Origem”, “Irmã Dulce”, “A Selva”, “O Trapalhão na Arca de Noé” e “A Queda”, este último gravado em 2022.
UMA FAMÍLIA LIGADA À DRAMATURGIA
Gracindo Jr. carregava no sobrenome uma das mais importantes referências da história da dramaturgia brasileira. Seu pai, Paulo Gracindo, foi um dos grandes nomes do rádio, do teatro e da televisão no país.
A tradição artística também avançou para as gerações seguintes. Gracindo Jr. foi pai de artistas, entre eles Gabriel Gracindo, Pedro Gracindo e Daniela Duarte, mantendo a família ligada ao universo da interpretação.
O ator era casado havia mais de cinco décadas com Daisy Poli. Segundo informações divulgadas após sua morte, ele deixa filhos e netos.
ÚLTIMOS ANOS LONGE DOS HOLOFOTES
Nos últimos anos, Gracindo Jr. passou a levar uma vida mais reservada e afastada da televisão. Depois de décadas de intensa exposição pública, dedicou-se a uma rotina mais tranquila, mantendo vínculos com a família e com a vida no interior do estado do Rio de Janeiro.
Seu último trabalho no cinema foi “A Queda”, gravado em 2022. Na televisão, uma de suas últimas participações foi na série “Homens?”, além de trabalhos realizados anteriormente no Brasil e em Portugal.
LEGADO
A morte de Gracindo Jr. encerra uma trajetória que se confunde com parte da própria história da televisão brasileira.
Ele pertenceu a uma geração de artistas que ajudou a construir a linguagem da teledramaturgia nacional, acompanhando a transformação do rádio em principal escola de atores e, posteriormente, a consolidação da televisão como um dos maiores veículos culturais do país.
Mais do que filho de Paulo Gracindo, porém, Gracindo Jr. construiu sua própria identidade artística. Foi ator, diretor, autor e profissional de bastidores, trabalhando em diferentes frentes da produção audiovisual.
Sua passagem por novelas como “O Casarão”, “Dona Beija” e “O Salvador da Pátria”, além de sua atuação no teatro, cinema e direção televisiva, deixou uma marca que atravessa gerações.
Aos 83 anos, Gracindo Jr. deixa a cena, mas permanece na memória da dramaturgia brasileira como um artista que ajudou a construir, ao longo de mais de 50 anos, capítulos importantes da televisão, do teatro e do cinema nacionais.
Da Agência Ronabar/Foto: Reprodução
