Pará se antecipa ao El Niño e cria alerta para enfrentar possível período de seca

Governo aposta em prevenção para reduzir riscos de queimadas, calor extremo, falta de água e impactos sobre comunidades

O Pará decidiu se antecipar aos possíveis efeitos do El Niño. O Governo do Estado decretou alerta climático e ambiental preventivo em todo o território para os próximos 180 dias, diante das previsões de mudanças no regime de chuvas e possibilidade de agravamento da estiagem.

Publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (25), o Decreto nº 5.606/2026 estabelece uma estratégia de preparação para um cenário que pode envolver redução das chuvas, menor disponibilidade de água, incêndios florestais, ondas de calor e piora da qualidade do ar.

A decisão é preventiva e não representa decreto de emergência. Na prática, o governo pretende ganhar tempo para organizar equipes, recursos e estruturas antes que eventuais impactos climáticos se intensifiquem.

Entre as ações previstas estão o fortalecimento das brigadas de combate a incêndios, monitoramento permanente das condições ambientais, preparação para eventual distribuição de água e alimentos e reforço de estoques de medicamentos.

A estratégia também prevê atenção especial às populações mais vulneráveis aos efeitos da estiagem, incluindo comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e pescadores. A agricultura familiar e a pesca artesanal também estão entre as atividades que poderão receber apoio.

Por que o alerta agora?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Na Amazônia, entre os possíveis efeitos estão períodos mais secos, temperaturas elevadas e maior risco de incêndios.

Dados oficiais já mostram que o Pará vem sendo acompanhado de perto. A Defesa Civil mantém boletins de estiagem, incêndios florestais e baixa umidade, além de alertas meteorológicos periódicos.

A Semas ficará à frente de parte do monitoramento e da articulação das ações preventivas. O governo também pretende utilizar o período de alerta para fortalecer o planejamento estadual de adaptação às mudanças climáticas.

A vigência inicial será de 180 dias, com possibilidade de prorrogação conforme a evolução do cenário e a avaliação das equipes técnicas.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE/Foto: Sandro Paukoski/Reprodução