Moradores de Oiapoque dividem opiniões após confirmação de petróleo na costa do Amapá

Enquanto parte dos moradores projeta crescimento no comércio e novos empregos, a preocupação com riscos ambientais e vazamentos gera apreensão.

confirmação da presença de petróleo a 175 quilômetros da costa de Oiapoque, no Norte do Amapá, dividiu as opiniões de quem vive no município. Entre a promessa de novos empregos e o receio de impactos ambientais na costa, a população local sente na rotina os primeiros reflexos da atividade petrolífera na Margem Equatorial.

Para parte da comunidade, o projeto traz a expectativa de investimentos para uma cidade que enfrenta o isolamento geográfico. O único acesso terrestre a Oiapoque exige percorrer 110 quilômetros de estrada de terra não pavimentada pela BR-156.

Comerciantes e trabalhadores autônomos também projetam a expansão do mercado de trabalho. A vendedora Rúbia Silva, moradora da cidade há 19 anos, avalia que a nova dinâmica econômica representa uma oportunidade de fixar os jovens no município, impulsionando áreas como saúde, educação, trabalho e empreendedorismo.

A vendedora Rúbia Silva, moradora da cidade há 19 anos, avalia que a nova dinâmica econômica representa uma oportunidade de fixar os jovens no município.

“Eu fui nascida e criada aqui no Oiapoque, já moro aqui há 19 anos e a exploração do petróleo eu vejo como uma oportunidade para os jovens, para o crescimento deles na saúde, na educação, no trabalho, no empreendedorismo e tudo isso. É uma coisa muito boa, uma oportunidade muito grande para todos nós moradores de Oiapoque”, falou.

Por outro lado, a preservação dos recursos naturais e o risco de acidentes geram apreensão entre os moradores. O catraieiro Luiz Lobato aponta os receios de parte da população com a segurança no mar.

“Muitos são contra porque acham que se acontecer um acidente aí vai destruir a nossa costa aí, o manguezal, a parte de onde tem os animais. A gente espera que eles venham trabalhar, fazer um trabalho digno”, disse.

Gargalo estrutural e logística

Diante das transformações na rotina da cidade, o prefeito de Oiapoque, Inácio Maciel, afirma ser necessário reforçar a infraestrutura pública para absorver o fluxo populacional.

“A necessidade de estruturarmos as políticas públicas de saúde, de educação, assistência, todo o aparato do Estado, do governo federal, do município, para que a gente possa absorver todas as mudanças que vão ocorrer em decorrência dessa descoberta”, disse.

Por ser a localidade mais próxima do ponto de perfuração no oceano, Oiapoque passou a atuar como base logística estratégica para o setor de gás e óleo.

Visita oficial e próximos passos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta segunda-feira (17) o navio-sonda da Petrobras no município de Oiapoque, junto com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para acompanhar as ações de perto.

A Petrobras confirmou que a equipe de engenharia trabalha para concluir a perfuração do poço, faltando cerca de 1 mil metros. O custo diário da operação é de US$ 1 milhão, e os investimentos na área já chegam a US$ 300 milhões.

Do G1/Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica