Alteração no nome de jogador expulso após partida entre Paraense e Santos está no centro do inquérito; ex-presidente da Comissão de Arbitragem da FPF também foi indiciado
Uma alteração feita em uma súmula do Campeonato Paraense de 2025 se transformou em caso policial e agora poderá chegar ao Ministério Público. A Polícia Civil do Pará indiciou o árbitro Olivaldo José Alves Moraes e o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paraense de Futebol (FPF), Fernando José de Castro Rodrigues, por suspeita de fraude relacionada ao documento oficial de uma partida.
O episódio investigado aconteceu após o confronto entre Paraense e Santos, realizado em 6 de novembro de 2025. O jogo, válido pelo Campeonato Paraense Série A3, terminou com vitória do Santos por 3 a 0 e teve uma confusão generalizada entre jogadores e integrantes das comissões técnicas. O Tribunal de Justiça Desportiva do Pará chegou a analisar o episódio e registrou Olivaldo entre os denunciados no processo disciplinar.
O ponto central da investigação policial é uma mudança feita na súmula após o encerramento da partida.
Na versão inicial do documento, Gabriel de Aviz Vidal aparecia como o jogador expulso. Posteriormente, um adendo alterou o registro e indicou Francisco Kawan da Costa Monteiro como o atleta que recebeu o cartão vermelho.
A modificação ocorreu quatro dias depois da partida e, de acordo com a investigação, não teria sido uma mera correção de informação. A Polícia Civil entendeu que havia indícios de alteração deliberada do registro e apontou a possível participação do árbitro e do dirigente responsável pela comissão de arbitragem.
Os dois foram indiciados com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê punição para quem altera ou modifica evento relacionado a competição esportiva.
Investigação começou após episódio de novembro
A apuração foi realizada pela Delegacia de Proteção ao Torcedor e Grandes Eventos (DPTGE/DIOE), unidade especializada em ocorrências relacionadas ao ambiente esportivo.
Além da possível fraude na súmula, os investigadores também analisaram uma denúncia de suposta coação no curso do processo envolvendo Fernando Rodrigues. A acusação havia sido apresentada pelo advogado Emerson Maurício Correia Dias.
Segundo o relatório policial, entretanto, não foram encontrados elementos suficientes para confirmar a prática do crime. Por isso, não houve indiciamento por coação.
Fernando Rodrigues deixou o comando da Comissão de Arbitragem da FPF em julho deste ano.
Federação aguarda Ministério Público
A Federação Paraense de Futebol divulgou nota oficial na segunda-feira (10) e afirmou que tomou conhecimento da conclusão do inquérito por meio da imprensa e de seus canais oficiais.
A entidade fez questão de classificar o procedimento policial como preliminar e informativo, destacando que o documento será analisado pelo Ministério Público do Estado do Pará.
A FPF também declarou respeito às garantias constitucionais, especialmente à presunção de inocência e ao devido processo legal.
Segundo a entidade, a Federação continuará colaborando com as autoridades e aguardará a manifestação dos órgãos competentes.
O próximo passo agora depende da análise do Ministério Público. O indiciamento realizado pela Polícia Civil não equivale a uma condenação e não determina, por si só, a responsabilidade criminal dos investigados.
Da Redação do Jornal PASSAPORTE/Fotos: Reprodução
