Ondas sucessivas de calor, temperaturas recordes, seca e incêndios colocam o continente diante de um dos períodos mais extremos já observados
A Europa atravessa um verão marcado por uma sequência excepcional de ondas de calor, com registros históricos de temperatura, períodos prolongados de seca e aumento do risco de incêndios. Os dados mais recentes indicam que a Europa Ocidental pode encerrar 2026 com o verão mais quente de sua história.
O cenário ganhou força principalmente nos meses de junho e julho. Junho de 2026 já entrou para os registros como o mês de junho mais quente já observado na Europa Ocidental. Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a temperatura média da região ficou 3,06°C acima da média de referência de 1991 a 2020, superando os recordes anteriores.
A sequência de calor não terminou com a chegada de julho. Diferentes áreas do continente continuaram enfrentando temperaturas muito acima do normal, com novas ondas de calor atingindo países da Europa Central, Oriental e do Mediterrâneo.
Em agosto, o calor extremo também avançou sobre a Europa Central. Áustria, Eslováquia e Hungria registraram temperaturas excepcionais, com a Eslováquia chegando a 42,2°C. Em algumas localidades, as temperaturas durante a noite permaneceram acima dos 28°C, reduzindo o período de recuperação do organismo diante do calor intenso.
CALOR, SECA E INCÊNDIOS
O problema não se resume aos termômetros. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e falta de chuva vem aumentando a pressão sobre os recursos hídricos e favorecendo a propagação de incêndios florestais.
Na Inglaterra, por exemplo, quase três quartos do território estavam classificados em situação de seca em agosto. A região enfrentou uma sequência de ondas de calor, com temperaturas superiores a 35°C em diferentes períodos, além de rios e reservatórios apresentando níveis muito baixos.
O calor também tem provocado impactos sobre a agricultura, a disponibilidade de água, os transportes e a geração de energia. Na Europa Central, os baixos níveis do rio Danúbio chegaram a afetar atividades econômicas e até sistemas de geração de eletricidade que dependem da disponibilidade de água para resfriamento.
UM VERÃO DIFERENTE DO PADRÃO
O que chama atenção dos especialistas é não apenas a intensidade das temperaturas, mas a repetição dos episódios de calor em diferentes momentos do verão.
Estudos científicos apontam que as ondas de calor no oeste europeu estão se tornando mais frequentes e intensas. Uma pesquisa publicada em 2026 identificou que as temperaturas máximas de verão na Europa Ocidental vêm aumentando em ritmo significativamente superior ao aquecimento médio global.
A análise científica sobre a onda de calor que atingiu a Europa a partir de junho também apontou a influência do aquecimento provocado pelas atividades humanas na intensidade do fenômeno. O episódio foi associado a um sistema persistente de alta pressão que manteve o ar quente sobre grandes áreas do continente.
RECORDES QUE SE ACUMULAM
Os números ajudam a dimensionar a excepcionalidade do verão europeu de 2026. Na França, uma onda de calor iniciada em junho se prolongou até o começo de julho. Outros países, como Itália, Suíça, Sérvia, Eslovênia e República Tcheca, também enfrentaram períodos de calor extremo.
Na região nórdica, julho trouxe novos episódios de temperaturas elevadas. A Noruega teve seu terceiro julho mais quente da série histórica, enquanto determinadas áreas do país registraram 13 dias consecutivos com máximas iguais ou superiores a 30°C, um recorde nacional. Na Finlândia, houve registro de temperaturas de 30°C ou mais em algum ponto do país todos os dias entre 12 de julho e 2 de agosto.
O cenário reforça a possibilidade de que o verão de 2026 termine entre os mais extremos já registrados na Europa. E, mesmo antes do encerramento da estação, os sucessivos recordes de temperatura, a seca e os incêndios já transformaram o verão europeu em um dos principais sinais da intensificação dos eventos climáticos extremos.
Para os especialistas, o episódio serve também como alerta sobre os impactos de um planeta mais quente: ondas de calor mais prolongadas e frequentes significam maior pressão sobre a saúde da população, a agricultura, os recursos hídricos, os sistemas de energia e a própria infraestrutura das cidades.
Da Agência Ronabar com informações e ingráfico do MetSul
