Dono da Voepass é indiciado pela Polícia Federal após investigação sobre queda de avião com 62 mortes

Uma investigação de quase dois anos conduzida pela Polícia Federal (PF) colocou no centro das atenções o empresário José Luiz Felício Filho, dono da companhia aérea Voepass, ao apontá-lo como um dos responsáveis pelo acidente aéreo que matou 62 pessoas em agosto de 2024, no interior de São Paulo.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, Felício Filho está entre os 16 indiciados no inquérito que apura as causas da tragédia envolvendo o voo 2283. A aeronave, um modelo ATR 72-500, caiu na cidade de Vinhedo após perder altitude rapidamente, não deixando sobreviventes.

Quem é Felício Filho

José Luiz Felício Filho é herdeiro do fundador da antiga Passaredo, companhia aérea criada em 1995 em Ribeirão Preto (SP) e que, após reestruturações, passou a se chamar Voepass em 2019. Ele assumiu o comando da empresa ainda nos anos 2000 e se consolidou como uma das principais figuras do setor de aviação regional no Brasil.

Piloto de formação, Felício Filho também atuava diretamente na gestão operacional da empresa e, após o acidente, chegou a se manifestar publicamente afirmando que a segurança sempre foi prioridade da companhia.

Por que ele foi indiciado

Segundo a Polícia Federal, o indiciamento está relacionado a uma série de falhas identificadas ao longo da investigação. Entre os principais pontos estão suspeitas de negligência, problemas de manutenção e omissões de falhas técnicas em registros oficiais da aeronave.

Um dos aspectos mais graves envolve o sistema de degelo do avião, que teria apresentado falhas repetidas antes do acidente. Ainda assim, a aeronave foi liberada para voar em condições climáticas adversas, o que pode ter contribuído diretamente para a queda.

Além disso, relatórios indicam possíveis irregularidades na gestão operacional da empresa, incluindo falhas no controle de manutenção e na tomada de decisões que garantiriam a segurança dos voos.

Tragédia e desdobramentos

O acidente com o voo 2283 é considerado um dos mais graves da aviação brasileira nos últimos anos. A aeronave caiu após uma descida abrupta de cerca de 13 mil pés, atingindo uma área residencial e provocando a morte de todos os ocupantes.

Após a conclusão do inquérito, caberá agora ao Ministério Público Federal decidir se apresenta denúncia formal contra os indiciados. Caso isso ocorra, Felício Filho e os demais envolvidos poderão responder judicialmente por crimes ligados à segurança do transporte aéreo.

Familiares das vítimas já sinalizaram que pretendem buscar responsabilização civil e criminal de todos os envolvidos, ampliando os desdobramentos judiciais do caso.

Investigação pode ter novos desdobramentos

A Polícia Federal também não descarta a possibilidade de responsabilização de outros agentes e instituições ligadas à fiscalização do setor aéreo. O caso segue em análise e pode ganhar novos capítulos nos próximos meses, à medida que o Ministério Público avalia o material reunido pelos investigadores.

A tragédia reacende o debate sobre segurança na aviação regional brasileira e os mecanismos de fiscalização que devem garantir a integridade de passageiros e tripulações.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE com foto e informações do portal Uol Notícias