Candidato a presidente pela sétima vez, Lula unifica a esquerda, mas levanta questões sobre o futuro sem ele

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscar quarto mandato com esquerda unificada (Reuters/Ricardo Moraes)

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subir ao palco na convenção do Partido dos Trabalhadores, neste domingo (2), para aceitar sua sétima, e última, indicação como candidato à Presidência, aos 80 anos, o fará com a esquerda brasileira mais unida em sua defesa do que em qualquer outro momento de sua longa carreira política.

Pela primeira vez em quase 40 anos, Lula é o candidato presidencial de todos os cinco principais partidos de centro-esquerda. Mas essa unidade, forjada na oposição a uma crescente extrema-direita, também levanta questões sobre quem poderá liderar o movimento quando o ex-líder sindical não estiver mais na disputa eleitoral.

“Não será fácil”, disse Juliano Medeiros, ex-presidente do PSOL, um dos partidos da coligação de Lula. “Teremos que debater muito para ver se conseguimos manter uma convergência na esquerda que vá além de nomes e da ameaça do crescimento da extrema-direita.”

O crescimento de uma coalizão em torno de Lula vem de uma estratégia de sobrevivência, à medida que os brasileiros se tornam cada vez mais conservadores e o espaço da esquerda no país diminui.

De acordo com o pesquisador Felipe Nunes, autor do livro “Brasil no Espelho”, de 2014 a 2023 a parcela de brasileiros que se consideram de direita subiu de 26% para 37%, enquanto a dos que se identificam como de esquerda caiu de 29% para 23%.

Essa mudança favoreceu a ascensão de figuras da extrema-direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que no ano passado foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Agora, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está concorrendo contra Lula.

“A direita-extrema se mantém viva e o campo popular democrático, que nós representamos, precisa se unir. Temos que ter lado, é uma questão de coerência”, disse Carlos Lupi, presidente do PDT, que teve seu próprio candidato à Presidência nas últimas eleições, em 2022, mas se juntou a Lula no segundo turno. “Estamos em um momento muito singular. Os democratas vão estar de um lado e filhotes da ditadura, de outro.”

Por Reuters