Empresa deixará de operar a partir de segunda-feira (27), enquanto processo administrativo segue em andamento. Três das cinco linhas serão assumidas por outras empresas do sistema.
A Prefeitura de Belém iniciou o processo de cassação das ordens de serviço e autorizações da empresa de ônibus Monte Cristo, responsável por cinco linhas do transporte coletivo da capital. A medida foi adotada após sucessivas paralisações dos rodoviários provocadas por atrasos no pagamento de salários e benefícios. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), a empresa deixará de operar a partir de segunda-feira (27), enquanto o processo administrativo segue em andamento.
De acordo com a Segbel, a decisão foi motivada pelo histórico de problemas na prestação do serviço, agravado pelas recorrentes interrupções da operação. O diretor de Transportes da secretaria, Isaías Ribeiro, afirmou que o órgão já vinha recebendo reclamações de usuários e que a empresa deixou de atender adequadamente a população.
“A gente já vinha recebendo diversas reclamações e a empresa deixou de atender completamente a população. Iniciamos o processo reunindo essas ocorrências para o cancelamento da ordem de serviço”, afirmou.
O processo administrativo deve ser concluído em até 30 dias. Segundo a secretaria, a cassação ocorre após anos de crises administrativas e sucessivas paralisações que comprometeram o atendimento aos passageiros e afetaram também os trabalhadores da empresa.
Linhas serão redistribuídas
Para evitar a interrupção do serviço, a prefeitura informou que três das cinco linhas da Monte Cristo passarão a ser operadas por outras empresas a partir de segunda-feira (27).
A linha Pedreira-Lomas será assumida pela Viação Santa Rosa. A Pedreira-Nazaré ficará sob responsabilidade da Transportadora Arsenal, enquanto a CDP-Providência-Ver-o-Peso será operada pela Nova Marambaia.
As linhas Sacramenta-São Brás e Alcindo Cacela-José Malcher ainda não tiveram empresas definidas para assumir a operação. Segundo a Segbel, a expectativa é concluir essa definição até o fim da próxima semana.
Durante o período de transição, a secretaria informou que determinou o reforço da frota nas empresas que operam trajetos semelhantes, para reduzir os impactos aos usuários.
Paralisações
Nesta semana, rodoviários da Monte Cristo voltaram a paralisar as atividades em protesto contra o atraso no pagamento de salários e benefícios. Os trabalhadores interditaram um trecho da Avenida Almirante Barroso e seguiram em caminhada até a sede da Segbel, na Avenida Senador Lemos, para cobrar uma solução.
Usuários relatam que as interrupções frequentes têm dificultado o deslocamento diário. O soldador Raimundo Martins, que utiliza a linha CDP-Providência, afirma que a espera pelos ônibus é constante.
“Pra pegar o CDP demora demais. Tão longe daqui, mas demora muito”, disse.
A estudante Gislane Jesus também reclama das dificuldades para chegar aos compromissos. “Eu acordo seis horas da manhã todos os dias para pegar ônibus, que está em greve”, afirmou.
Trabalhadores
A Segbel informou que solicitou às empresas que assumirão as linhas da Monte Cristo que deem prioridade à contratação dos trabalhadores da empresa.
“Nosso secretário reuniu com os empresários e pediu que eles deem prioridade para os funcionários da Monte Cristo”, afirmou Isaías Ribeiro.
Fundada em 1969, a Monte Cristo é uma das empresas mais tradicionais do transporte coletivo de Belém. Entre as linhas mais conhecidas operadas pela empresa está a Pedreira-Lomas, que liga bairros da capital à região da BR-316.
Segundo a prefeitura, a redistribuição das linhas busca garantir a continuidade do serviço e reduzir os impactos para os passageiros durante a conclusão do processo de cassação da empresa.
Fonte g1 Pará
