A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou forte repercussão internacional e abriu um novo capítulo de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O ex-presidente norte-americano Donald Trump voltou a criticar o cenário político brasileiro e enviou um recado direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elevando o tom do embate diplomático.
Eduardo Bolsonaro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão, além de ficar inelegível por oito anos, por atuar na tentativa de pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações com o governo dos Estados Unidos. A Justiça entendeu que houve coação no curso do processo ao buscar interferência externa em decisões do STF.
A decisão gerou reação imediata no ambiente político internacional. Trump, aliado histórico da família Bolsonaro, criticou duramente o julgamento e voltou a classificar o tratamento dado aos opositores no Brasil como “perseguição política”, reforçando críticas que já havia feito anteriormente ao processo contra Jair Bolsonaro.
Nos bastidores e também em declarações públicas recentes, Trump elevou o tom ao comentar o cenário brasileiro, apontando instabilidade política e sugerindo que o país atravessa um momento “perigoso”. As falas foram interpretadas como um recado direto a Lula e ao sistema judicial brasileiro.
A resposta do presidente brasileiro veio de forma igualmente contundente. Lula reagiu às declarações afirmando que o Brasil é soberano e não aceita interferências externas em seus assuntos internos. Em tom crítico, o chefe do Executivo acusou Trump de agir como um “imperador” e de desrespeitar a autonomia das instituições brasileiras.
A crise se intensifica em um momento delicado, com o Brasil às vésperas de novas disputas eleitorais e com a família Bolsonaro ainda no centro do cenário político. Eduardo, que está fora do país, nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição.
Nos bastidores, analistas avaliam que o episódio pode ter impactos diretos nas relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, especialmente diante do histórico recente de tarifas e tensões políticas.
Enquanto isso, nas redes sociais, o tema domina o debate público, com posicionamentos polarizados e forte engajamento de apoiadores e críticos dos dois lados.
Americano chama Brasil de ‘país politicamente difícil’ e confunde filhos de Bolsonaro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem (17) que conversou com o presidente Lula durante a cúpula do G7, e chamou o Brasil de um “país politicamente difícil”.
O presidente dos EUA foi questionado sobre sua interação com Lula pela repórter da TV Globo Bianca Rothier, durante uma entrevista à imprensa na cúpula de Évian, na França.
Perguntado se conversou com Lula sobre o novo tarifaço contra o Brasil e sobre a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, Trump confirmou apenas que conversou com o presidente brasileiro:
“Sim, eu passei bastante tempo com ele [Lula], na verdade”, afirmou Trump, sem detalhar o conteúdo da conversa.
Na sequência, Trump criticou o Brasil: “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”.
O presidente dos EUA prosseguiu comentando as eleições no Brasil e pareceu confundir os filhos de Bolsonaro: Flávio e Eduardo Bolsonaro.
“Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.”
Depois, Trump pareceu fazer um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos EUA. “Eles [Brasil] jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente roubadas”, disse.
A confusão de Trump entre os filhos de Bolsonaro ocorre um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) por tentativa de interferir no julgamento do pai na trama golpista. Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão.
Eduardo, no entanto, não foi preso. A condenação dele ainda não transitou em julgado, uma vez que ainda precisa ser publicada e que cabem recursos. Após essa fase, será declarado o chamado trânsito em julgado (a partir desse momento, não caberão mais recursos), e a Justiça vai decretar o início do cumprimento da pena do ex-deputado, que hoje vive nos Estados Unidos.
Além disso, Eduardo não é pré-candidato à presidência, mas sim o seu irmão, Flávio Bolsonaro — que não responde a processo.
Lula diz que vai ‘levar urna eletrônica’ para Trump
Questionado sobre as falas de Trump, Lula disse em entrevista à imprensa no G7 que o presidente dos EUA precisa “aprender com as eleições civilizadas” do Brasil e que não pode se meter no processo eleitoral do país.
Para Lula, ao fazer críticas à política do Brasil, Trump mostra que “não conhece o Brasil”.
“Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse Lula.
Lula afirmou também que “não tem razões” para conversar com Trump neste momento porque os dois países estão em negociações — até por isso ele não requisitou uma reunião bilateral com o republicano.
Da Redação do Jornal PASSAPORTE com redes sociais e portais de notícias
