Segundo Cambridge, a vacina desencadeou respostas imunológicas nos voluntários não apenas contra o SARS-CoV-2 e o SARS, mas também contra vírus de morcego relacionados que poderiam transmitir de animais para humanos e causar futuras pandemias.
As vacinas desenvolvidas com o “superantígeno” poderiam proteger contra futuras ameaças de vírus emergentes. A tecnologia também reduz a necessidade de reformulações frequentes, o que é uma limitação fundamental das vacinas atuais.
Superamos o problema das vacinas tradicionais, que têm proteção limitada. Isso significa que podemos escapar do ciclo constante de perseguir as variantes do vírus que circulam em humanos e atualizar as vacinas para tentar alcançá-las“, afirmou o professor Heeney, que é o líder científico da pesquisa.
As vacinas atuais, como a vacina contra a gripe sazonal e as vacinas existentes contra a Covid-19, utilizam antígenos de cepas ou variantes virais específicas que já foram detectadas em humanos. Mas, como os vírus estão em constante mutação, quando essas vacinas tradicionais são produzidas e distribuídas, elas oferecem proteção limitada e precisam ser atualizadas anualmente para se manterem relevantes.
Para desenvolver o antígeno para uma vacina universal contra o coronavírus, a equipe utilizou todos os dados de sequência genética disponíveis para os coronavírus da sarbeco, registrados por programas de vigilância em todo o mundo.
Usando aprendizado de máquina, os pesqusiadores projetaram um superantígeno contendo as características antigênicas comuns a todo esse grupo de vírus – incluindo aqueles que ainda não surgiram.
Testes em humanos
A vacina foi aplicada em voluntários com idades entre 18 e 50 anos no Centro de Pesquisa Clínica NIHR de Southampton, na UHSFT, e no Centro de Pesquisa Clínica NIHR de Cambridge, no Hospital Addenbrooke’s, em Cambridge.
O superantígeno é compatível com a maioria dos sistemas de administração de vacinas. Neste ensaio clínico, foi administrado como vacina de DNA por meio de um microjato de fluido. Este método de administração sem agulha oferece uma alternativa para aqueles que têm medo de injeções com agulha. Isso poderia tornar a vacinação mais rápida e fácil de ser realizada em um grande número de pessoas, especialmente em locais onde as injeções convencionais são mais difíceis de administrar.
Um estudo anterior em animais — uma etapa importante antes do início dos testes em humanos — constatou que a vacina proporcionou uma forte resposta imunológica contra uma variedade de coronavírus.
É necessário desenvolver ainda mais a vacina antes que ela esteja pronta para uso público. Um ensaio de Fase 2, em maior escala, avaliará a capacidade da vacina de induzir respostas imunes em uma população mais ampla e diversificada, e confirmará se ela gera respostas imunes fortes e com ampla proteção.
Os pesquisadores de Cambridge também destacaram a ameaça contínua de uma pandemia, principalmente com constantes evoluções de vírus do Ebola e do coronavírus. “Se conseguirmos desenvolver e avançar clinicamente com essa nova classe de vacinas antes do início de um surto viral, milhões de vidas poderão ser salvas, confinamentos evitados e a economia preservada”, afirma o professor Saul Faust, da Universidade de Southampton, investigador principal dos testes.