A iniciativa vai beneficiar cerca de 50 famílias na comunidade rural Santa Rosa
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado das Cidades e Integração Regional (Secir), iniciou a implantação de um sistema de abastecimento de água na comunidade rural Santa Rosa, distante cerca de 20 km do centro de Santarém, região do Baixo Amazonas. Outras 10 cidades já têm obras em execução ou com ordem de serviço assinadas na região.
O sistema de abastecimento implantado vai proporcionar água tratada para aproximadamente 200 moradores da comunidade Santa Rosa que, atualmente, dependem de poços rasos, cavados por iniciativa própria, que não suprem a necessidade de quem vive no local.
Equipe de engenharia da Secir com o morador Ranilson RaniereFoto: Secir
Morador da comunidade há 46 anos, o agente de saúde Ranilson Raniere, de 49 anos, relata as dificuldades enfrentadas diariamente para garantir o acesso à água. Segundo ele, a comunidade conta com um poço comunitário, mas o abastecimento é instável.
“A gente já passou até nove dias sem água. Quando o poço seca ou a bomba para de funcionar, o lugar mais perto para buscar água fica a cerca de dois quilômetros de distância”, conta.
Durante o período de estiagem, entre julho e dezembro, a situação se agrava. “A partir de junho a chuva diminui e o poço seca mais rápido. É quando o sofrimento aumenta”, acrescenta.
Ele lembra que, antes da construção do poço, em 1993, a situação era ainda mais difícil. “A gente foi a primeira família a cavar o poço. Antes, precisava andar cerca de um quilômetro até um igarapé para buscar água”, diz.
Escassez e racionamento – Mesmo com o poço, a distribuição de água na comunidade ainda é limitada. Para evitar que o reservatório seque rapidamente, os moradores precisam se organizar por horários, conforme explica Ranilson.
“Ele funciona três vezes ao dia. Como é muita gente, a gente se divide: alguns pegam água de manhã, outros ao meio-dia e outros à tarde”, conta.
A infraestrutura também é precária. Uma rede de encanação de 32 mm atende apenas parte das residências, obrigando alguns moradores a caminhar até 200 metros para acessar o poço.
“Tem muita gente idosa na comunidade, com mais de 60 anos, e isso acaba sendo cansativo. Já aconteceram acidentes também, principalmente antes da bomba, quando a água era puxada na corda”, relata.
Morador da comunidade Santa Rosa, em Santarém, Ranilson RaniereFoto: Arquivo pessoal / Ranilson Raniere
Risco à saúde – Além da dificuldade de acesso, a qualidade da água preocupa, uma vez que ela é utilizada para tudo, desde higiene até alimentação e, segundo Ranilson, a água não passa por tratamento. “Algumas pessoas usam hipoclorito, mas a maioria consome direto. A gente já teve muitos casos de doenças, como ameba”, afirma.
A realidade descrita pelo morador é comum em comunidades atendidas por poços rasos, segundo o supervisor de obras e engenheiro civil da Secir, Luiz Frazão. De acordo com ele, esse tipo de captação costuma apresentar problemas de qualidade.
“Os poços são rasos, às vezes com cerca de 30 metros de profundidade apenas, e a água não é de boa qualidade, podendo apresentar coliformes fecais e outros tipos de contaminação”, explica.
Sistema de abastecimento – O sistema de abastecimento que está sendo levado pela Secir à comunidade de Santa Rosa foi projetado para atender até 50 famílias por localidade, o que representa cerca de 200 pessoas. “A estrutura não vai só extrair a água, mas também vai tratar, removendo impurezas e garantindo que ela atenda aos padrões de qualidade para consumo humano”, destaca Luiz Frazão.
Segundo o engenheiro, a região possui uma vantagem estratégica em relação à disponibilidade hídrica. “Estamos em uma área com grande potencial aquífero, o que permite garantir a oferta de água. Em Santarém, a água é abundante — agora, ela também será tratada adequadamente nessas localidades mais distantes do centro”, afirma.
O modelo adotado prevê, inicialmente, a instalação de chafarizes — estruturas com torneiras coletivas próximas à estação de tratamento —, com possibilidade de expansão da rede de distribuição. “Assim como em outros municípios da região, como Belterra e Mojuí dos Campos, o sistema pode ser ampliado futuramente, conforme a demanda e a articulação local”, explica.
Foto: SecirExpectativa – A notícia da chegada de um sistema de abastecimento de água foi recebida com grande alívio e alegria pelos moradores, com a esperança de ter maior regularidade no fornecimento e melhor qualidade de vida. “A gente espera ter água suficiente, porque hoje tem dias que falta e precisamos esperar até o outro dia, no nosso horário, para conseguir de novo”, comenta Ranilson Raniere.
Para o morador, o impacto da obra vai além da infraestrutura. “Isso significa saúde para a gente. A água faz parte da nossa saúde. A gente pode até passar um dia sem comer, mas sem beber água não dá. Água é vida”, conclui.
A obra na comunidade Santa Rosa já teve etapa de escavação do poço profundo concluída e segue o cronograma para construção da estação de tratamento. A expectativa é de conclusão ainda este ano.
Obras de abastecimento avançam no Pará
Com o início das obras em Santarém, a região do Baixo Amazonas já conta com 11 cidades com sistema de abastecimento em execução ou com ordem de serviço assinadas pela Secir, incluindo: Juruti, Alenquer, Monte Alegre, Belterra, Mojuí dos Campos, Óbidos, Terra Santa, Almeirim, Prainha e Oriximiná.
A Secir também está levando sistemas de abastecimento para a região do Tapajós (Itaituba, Aveiro e Rurópolis) e do Marajó (Curralinho, Salvaterra, Breves e São Sebastião da Boa Vista) nesta primeira parte dos projetos aprovados, em 2023, no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC Rural), assinado pelo Governo do Pará, por meio da Secir, e o Ministério das Cidades (MC), no valor de R$ 49,7 milhões.
Em dezembro do ano passado, a Secir teve novos projetos de abastecimento de água
selecionados pelo Ministério das Cidades no âmbito do Novo PAC Rural 2025. A
aprovação garantiu um investimento de R$ 57 milhões para a expansão das obras
para mais 22 cidades.
