Morre o jornalista Carlos Mendes, referência na busca pela verdade no Pará

O jornalismo paraense perdeu um de seus nomes mais marcantes. Faleceu o jornalista Carlos Mendes, profissional reconhecido por sua postura investigativa, compromisso com a verdade e atuação firme nos bastidores da política regional.

A informação foi confirmada neste domingo (31) por amigos e colegas de profissão, gerando forte comoção entre comunicadores, instituições e leitores que acompanharam sua trajetória ao longo dos anos.

Carlos Mendes construiu carreira pautada pela profundidade da apuração. Em um cenário frequentemente dominado pela rapidez da informação, ele se destacou por ir além do factual, buscando compreender contextos, bastidores e impactos das notícias. Sua atuação era marcada por questionamentos incisivos e pela recusa em se limitar a versões oficiais.

“Ele não queria apenas o furo, queria o fundo”, relembrou o jornalista e presidente do Instituto Milton Yamada, Taizó Yamada, que conviveu com Carlos durante a época em que dirigia a TVM, canal 17.

Segundo Yamada, Carlos Mendes era um profissional movido por uma “obsessão rara pela verdade”, característica que o levou a enfrentar desafios e pressões ao longo da carreira. “Ele pagava o preço com a caneta”, afirmou.

O último encontro entre os dois ocorreu pouco antes da pandemia de Covid-19, na residência do jornalista, no bairro da Vileta, em Belém. O que seria uma conversa técnica sobre geopolítica da Amazônia acabou se transformando em um momento de troca pessoal e reflexões sobre a vida e a profissão.

“Algumas conversas não são entrevistas. São presentes”, destacou Yamada ao recordar o encontro.

Além do reconhecimento profissional, Carlos Mendes também deixa um legado humano. Era descrito como alguém que valorizava o convívio familiar, o diálogo e a construção de relações sinceras. Ele deixa esposa, filhos e uma rede de amigos e admiradores.

Para colegas de profissão, sua morte representa mais do que a perda de um jornalista: simboliza a ausência de uma voz crítica, comprometida com a apuração rigorosa e com o respeito ao público.

“Num tempo de pressa e de likes, ele defendia a pausa e o contexto”, resumiu Yamada.

A família ainda não divulgou detalhes sobre velório e sepultamento.

Em nota de pesar, amigos e instituições destacaram a contribuição de Carlos Mendes para o jornalismo do Pará e sua dedicação incansável à verdade dos fatos.

O Jornal PASSAPORTE se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de dor.

Da Redação do Jornal PASSAPORTE/Foto: Ivan Martins