Ataque com drone provoca incêndio em usina nuclear dos Emirados Árabes e aumenta tensão em cessar-fogo com Irã

Um ataque com drone atingiu neste domingo (17) a usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio em um gerador elétrico na área externa da instalação e aumentando novamente a tensão no frágil cessar-fogo da guerra envolvendo o Irã.

Nenhum grupo assumiu imediatamente a autoria do ataque. Segundo autoridades de Abu Dhabi, capital do país, não houve vazamento radioativo nem feridos.

Apesar disso, as suspeitas recaíram rapidamente sobre o Irã, que nos últimos dias vinha fazendo ameaças crescentes aos Emirados Árabes Unidos. Durante a guerra, o país recebeu tropas e sistemas antimísseis israelenses Domo de Ferro.

O ataque acontece enquanto o Irã mantém controle sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo antes do conflito, afetando o abastecimento global de energia.

Ela é a primeira e única usina nuclear da Península Arábica e consegue fornecer cerca de um quarto de toda a demanda de energia dos Emirados Árabes Unidos, uma federação formada por sete emirados. Também é a primeira usina nuclear comercial do mundo árabe.

O órgão regulador nuclear do país informou que o incêndio não afetou a segurança da instalação.

“Todas as unidades seguem operando normalmente”, escreveu a entidade na rede social X.

O governo dos Emirados não atribuiu oficialmente a responsabilidade pelo ataque. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão nuclear da ONU com sede em Viena, não comentou imediatamente o caso.

Este foi o primeiro ataque contra a usina de Barakah desde o início da guerra envolvendo o Irã.

A instalação fica em uma região desértica no oeste de Abu Dhabi, próxima à fronteira com a Arábia Saudita.

Os Emirados firmaram com os EUA um acordo conhecido como “123 agreement”, no qual abriram mão do enriquecimento doméstico de urânio e do reprocessamento de combustível nuclear usado, para evitar preocupações com proliferação nuclear. O urânio utilizado pela usina é importado.

Conflito no Irã altera dinâmica de exportações do agronegócio brasileiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Conflito no Irã altera dinâmica de exportações do agronegócio brasileiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Por Redação AP
Foto: Arun Girija/Emirates Nuclear Energy Corporation/WAM via AP