Pesquisa destaca letramento em saúde ambiental entre ribeirinhos e fortalece formação de Enfermagem da Uepa

Instituição realizará a Semana de Enfermagem 2026, em alusão ao Dia Internacional da Enfermagem

 

Estudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhasEstudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhasFoto: Divulgação

Práticas e experiências cotidianas entre ribeirinhos também constroem saber. A pesquisa Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense, desenvolvida por estudantes do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), analisou como o conhecimento sobre saúde ambiental repercute no dia a dia dessa população. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi feito pelas alunas Élida Fernanda Rêgo de Andrade e Sandy Isabelly Osório de Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata (EEMB), campus IV da Uepa, e coorientação da enfermeira Ana Kedma Correa Pinheiro.

Estudos como esse potencializam a produção científica e o papel da instituição, que promove, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026. O evento tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica e incentivar a pesquisa, e traz como tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, marcando também o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio.

Além de fortalecer a formação acadêmica, o estudo trata do letramento em saúde ambiental (LSA) no cotidiano de ribeirinhos da Amazônia paraense, com foco na prevenção de doenças e proteção ambiental e contribuem para a compreensão de práticas em saúde mais sensíveis às realidades locais. Na Uepa, a pesquisa recebeu o primeiro lugar do Prêmio Melhor TCC 2024/2025 do curso de enfermagem.

Moradores da Ilha de  Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidianoMoradores da Ilha de  Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidianoFoto: Divulgação

As alunas desenvolveram um estudo descritivo e qualitativo realizado na Unidade Municipal de Saúde da Ilha de Cotijuba, em Belém, e os dados foram coletados por meio de entrevistas. Participaram 29 ribeirinhos, a maioria do sexo feminino (82,76%), com idade média de 46 anos e renda familiar de até um salário mínimo.

De acordo com o estudo, as populações ribeirinhas enfrentam inúmeras necessidades, mas mantêm um modo de vida próprio, junto à natureza e orientado pela herança de saberes socioculturais que influenciam o cotidiano, as relações e os cuidados em saúde. O Letramento em Saúde Ambiental refere-se à capacidade de compreender a relação entre ambiente e saúde e o uso desse conhecimento nas decisões cotidianas, como na identificação de mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, associando a impactos na saúde e ajustando práticas.

Além do acesso à informação, a prática ribeirinha envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto sociocultural, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde individual e coletiva, explicou a aluna Élida Andrade. Esses conhecimentos articulam práticas e noções de saúde, influenciadas por crenças e experiências locais, que orientam a forma como os ribeirinhos reconhecem riscos e adotam estratégias de cuidado e prevenção.

Uepa promove eventos na área da saúdeUepa promove eventos na área da saúdeFoto: Divulgação

Resultados – A pesquisa indica que os ribeirinhos associam saúde ambiental à limpeza e ao bem-estar, recorrendo à queima de lixo na ausência de coleta pública, apesar dos riscos à saúde. A preservação é vista como essencial ao sustento, enquanto a degradação ambiental é reconhecida como causa de doenças respiratórias e infecciosas, como leptospirose e dengue.

Os moradores também relataram abandono do poder público e impactos negativos do turismo, sobretudo pela poluição trazida à ilha. As práticas de prevenção entre os ribeirinhos incluem o cuidado com a higiene da água e a eliminação de criadouros de mosquitos, ao mesmo tempo em que apontam desigualdades no acesso à informação, onde parte da população utiliza internet e celular, enquanto outra enfrenta limitações por falta de recursos e infraestrutura.

“Durante a pesquisa, observamos alguns desafios vivenciados por eles, como o acesso limitado aos serviços de saúde e educação, o que dificulta a circulação de informações qualificadas, além da vulnerabilidade socioeconômica e das desigualdades estruturais presentes nesses territórios. Também se observou que, em alguns momentos, essas comunidades são impactadas por ações de visitantes e turistas que, embora contribuam para a economia e a visibilidade local, foram associados ao descarte inadequado de lixo, com repercussões negativas para o ambiente e a qualidade de vida”, disse a aluna Sandy Sousa.

Foto: Divulgação

O estudo ressaltou também o papel do enfermeiro como educador e a necessidade de ações e estratégias de educação em saúde culturalmente adaptadas para empoderar essas comunidades e fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida. A pesquisa foi desenvolvida por meio de bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e também já foi publicada na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (REEUSP), e pode ser acessada aqui. A  revista é classificada como Qualis A, reconhecida pelo seu alto rigor científico e impacto na área.

Semana de Enfermagem 2026 – A Escola de Enfermagem Magalhães Barata realiza, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026 (SENF 2026). O evento tem o tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, e é promovido pela Coordenação do curso de enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Centro acadêmico (Caenf). A programação reúne atividades voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica, ao incentivo da produção científica e à promoção de reflexões sobre a enfermagem na sociedade.

A semana vai ter mesa redonda, mostra científica, oficinas e cursos intensivos preparatórios para residências multiprofissionais, apresentação cultural e palestras. A SENF 2026 se propõe como espaço de integração entre ensino, serviço e comunidade acadêmica para promover o aprimoramento técnico-científico e a troca de experiências. Outras informações, programação completa e inscrições disponíveis neste link.

“A SENF 2026 reunirá estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da comunidade acadêmica em torno da formação, da ciência e do fortalecimento da profissão. O tema convida à reflexão sobre os pilares da enfermagem contemporânea: excelência técnica, compromisso ético e protagonismo político”, destacou a professora e coordenadora do Campus IV, Maridalva Leite.

Para estimular a solidariedade, o evento também vai contar com uma campanha de doação de sangue no dia 13 de maio, das 9h às 16h, no campus IV, com direito à certificação para os participantes. O pré-cadastro pode ser feito nesta página e cada doação pode salvar até quatro vidas. Entre os parceiros da campanha de doação de sangue estão a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Anatomia e Fisiologia ( LAMAF) e o Hemopa. A EEMB fica localizada na Avenida José Bonifácio 1289, bairro do Guamá, em Belém.

Por Diane Maués (UEPA)
Fonte Ag.Pará