Em uma semana de funcionamento, Restaurante Popular Dr. Oswaldo Coelho já atendeu aproximadamente 5.300 pessoas. São cerca 1.100 refeições por dia garantindo alimentação digna a quem mais precisa
No Jurunas, o almoço de José Rodrigues, 58 anos, tem endereço certo há uma semana. Cobrador de ônibus desempregado, ele vive hoje com cerca de R$ 600 mensais, oriundos de programas de assistência social do Governo Federal. Em meio à insegurança alimentar, encontrou no Restaurante Popular Dr. Oswaldo Coelho a principal e, muitas vezes única, refeição completa do dia.
“Eu não tenho dinheiro para gastar, essa é praticamente a minha única refeição completa diária. É uma grande economia, o dinheiro que sobra eu consigo comprar um leite, um café”, relata. Satisfeito com o cardápio, ele reforça a qualidade da comida servida. “É ótima, excelente. Ontem eu comi carne assada, hoje estou comendo frango.”
Inaugurado no último dia 9 de abril pela Prefeitura Municipal de Belém, o equipamento público completa uma semana de funcionamento, consolidado como política de segurança alimentar, garantindo refeições acessíveis e de qualidade para a população em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com a coordenadora do setor de nutrição da Fundação Papa João XVIII (Funpapa), Aline Caetano, nesses primeiros dias o local já serviu cerca 1.100 refeições por dia, o que somadas dá aproximadamente 5.300 pessoas atendidas.
O perfil do público é variado, mas majoritariamente formado por pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Atendemos principalmente pessoas em situação de rua, trabalhadores do comércio e desempregados. Mas o restaurante é aberto a toda a população”, explica Caetano.
A aceitação do público também se reflete nos elogios. O representante comercial, Dionaldo Lavor, 75 anos, não economiza nas palavras: “Melhor do que isso, só ‘dois disso’. A comida é ótima, higiênica, igualzinho a restaurante caro”.
O cardápio, elaborado por nutricionistas da Funpapa, segue critérios técnicos para garantir refeições balanceadas. Arroz e feijão são itens fixos, enquanto saladas, proteínas, sucos e sobremesas variam ao longo da semana. Sendo que frutas são servidas três vezes por semana, para estimular hábitos saudáveis. A proposta também valoriza a produção regional, com uso de peixes, legumes, verduras e sucos locais, contribuindo para a economia da cidade.
Para Vanderléia Batista, 57 anos, diarista e também moradora do Jurunas, o impacto é direto no orçamento doméstico. Beneficiária do Bolsa Família, ela afirma que a economia com alimentação permite custear despesas básicas. “Se não fosse isso, eu não conseguiria comprar meus remédios. Tenho dificuldade de me alimentar todos os dias, então o restaurante representa muito. É a única chance de comer bem”, diz.
Aline Caetano explica que, em uma semana de funcionamento, o restaurante atendeu às expectativas da Funpapa.
“O público em vulnerabilidade social é muito grande, então essa primeira semana de trabalho supriu as nossas expectativas, o que a gente planejou realmente está sendo cumprido. E ver isso é muito satisfatório, porque o restaurante popular é uma ferramenta muito importante de inclusão social, de dignidade e de combate ao quesito saúde. Então ele traz saúde a essa população que já vive em extrema pobreza. Às vezes a refeição que eles fazem aqui é a única do dia. O restaurante significa realmente enxergar o outro, principalmente essas pessoas que estão em vulnerabilidade social”.
Nos bastidores, o trabalho começa ainda de madrugada. O chefe de cozinha Carlos Freitas conta que a equipe inicia o preparo à meia-noite para garantir qualidade no atendimento. O esforço é reconhecido por frequentadores como Joana da Silva, 50 anos, atualmente desempregada. “A comida está maravilhosa. E R$ 2 é um preço que eu posso pagar. Sem esse restaurante, não sei como conseguiria comer bem com a minha renda”, afirma.
O Restaurante Popular funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 15h, com refeições ao custo de R$ 2. O acesso é aberto ao público em geral, com prioridade para pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), em situação de vulnerabilidade social ou insegurança alimentar.
Da Agência Belém

