Cidade brasileira é invadida pelo mar, prédios estão tortos e solução pode custar R$ 200 milhões

Avanço do mar pressiona infraestrutura urbana e mobiliza plano bilionário para adaptação climática, com foco em drenagem, proteção da orla e soluções para prédios inclinados, enquanto cidade busca respostas técnicas e financiamento para reduzir riscos e impactos em áreas densamente povoadas.

A Prefeitura de Santos prepara uma nova etapa do enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovar R$ 200 milhões para estruturar um plano de adaptação e resiliência urbana.

A proposta inclui medidas para reduzir alagamentos, rever a drenagem da Cidade, reforçar a proteção da orla e responder ao avanço da maré em áreas mais vulneráveis.

Embora o valor tenha sido aprovado no âmbito do programa BNDES Cidades Resilientes, o dinheiro não será liberado de forma automática para obras imediatas.

Segundo o prefeito Rogério Santos, a etapa atual prevê a formatação técnica dos projetos, estimada em R$ 7 milhões, antes de qualquer contratação de intervenções maiores.

A formalização do empréstimo ainda depende de tramitação local, incluindo aval da Câmara Municipal.

Na prática, o cronograma ainda é de médio prazo.

A administração municipal trabalha com a perspectiva de que as obras só avancem depois de estudos, projetos básico e executivo, licenciamento ambiental e debates públicos sobre as soluções mais adequadas para a realidade urbana e geográfica de Santos.

Por isso, a expectativa hoje é de uma implementação em até quatro ou cinco anos, e não de intervenções imediatas.

Drenagem urbana e avanço do mar em Santos

O município pretende revisitar a lógica histórica dos canais idealizados pelo engenheiro Saturnino de Brito, referência no saneamento santista, para adaptar essa estrutura à pressão atual das marés e aos eventos extremos.

A discussão envolve não apenas a Zona Noroeste, onde já existe projeto de macrodrenagem em andamento, mas também a faixa mais antiga da Cidade, com foco no Centro, na Zona Intermediária e na orla.

A estratégia desenhada com o BNDES para a Zona Leste prevê uma abordagem integrada.

Em documento oficial, o banco informa que o objetivo é estruturar soluções de adaptação climática capazes de tornar o território mais seguro, funcional e preparado para eventos extremos.

Entre as possibilidades estudadas estão modelagem de risco climático, requalificação de áreas vulneráveis, ampliação de superfícies permeáveis, criação de soluções de drenagem mais eficientes e proteção do patrimônio ambiental e cultural da orla.

Esse desenho reforça a leitura da Prefeitura de que os alagamentos deixaram de ser um problema apenas operacional e passaram a exigir respostas permanentes de infraestrutura.

Em vez de concentrar esforços apenas na manutenção do sistema existente, o município tenta estruturar uma revisão mais ampla, com base em consultorias especializadas e em experiências já aplicadas em outras cidades com desafios parecidos.

Rogério Santos afirmou que a prioridade, neste momento, é conhecer metodologias e alternativas compatíveis com a configuração local.

“O que nós queremos agora é conhecer as experiências, para, aí sim, a gente optar por avançar no empréstimo que levaria às obras”, disse o prefeito, ao explicar que a decisão depende de discussão técnica e também de diálogo com a sociedade.

Projetos com o BNDES e modernização do CCO

A agenda entre Prefeitura e BNDES não se limita ao pacote de adaptação climática.

Segundo o secretário de Governo, Fábio Ferraz, o município levou ao banco três frentes principais: a requalificação da drenagem e da macrodrenagem, a ampliação e modernização do Centro de Controle Operacional e a busca de uma solução financeira para os prédios inclinados da orla.

A leitura da administração é que esses temas passaram a se cruzar no mesmo debate sobre resiliência urbana.

No caso do CCO, a Prefeitura informa que há previsão de R$ 80 milhões para expansão e modernização da estrutura, com reforço tecnológico e integração de dados.

A proposta inclui softwares capazes de medir acúmulo de água no solo, melhorar o controle de dragagem e drenagem e otimizar a operação das comportas dos canais, além de ampliar o diálogo do sistema com outras áreas, como segurança pública e resposta emergencial.

Em notícia publicada pela própria administração municipal, o CCO foi tratado como peça estratégica no enfrentamento de eventos climáticos extremos.

O portal da Prefeitura também registrou visitas técnicas do BNDES às comportas dos canais 3, 4 e 5, como parte da avaliação sobre o potencial de automação desses sistemas.

A intenção é integrar medidas preventivas já em curso com novos investimentos voltados à adaptação urbana.

Ao comentar a operação principal, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que os investimentos devem reduzir alagamentos, proteger a orla e melhorar a qualidade de vida de mais de 200 mil pessoas, além de fortalecer a atividade econômica e a capacidade de resposta do município.

Prédios tortos na orla e busca por financiamento

A situação dos chamados prédios tortos também entrou no pacote de discussões com o BNDES, mas ainda em estágio menos avançado.

De acordo com Fábio Ferraz, a modelagem em estudo tem perfil privado e busca permitir que condomínios associados à ACOPI, a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados, possam acessar financiamento para intervenções de engenharia voltadas ao reaprumo das estruturas.

A Prefeitura de Santos informa hoje que acompanha 65 edifícios com desaprumo na área da orla, sobretudo entre os canais 2 e 6, nos bairros Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida.

Segundo o município, as inclinações estão ligadas ao tipo de fundação adotado décadas atrás e às características do solo local.

Ao comentar a operação principal, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que os investimentos devem reduzir alagamentos, proteger a orla e melhorar a qualidade de vida de mais de 200 mil pessoas, além de fortalecer a atividade econômica e a capacidade de resposta do município.

De acordo com Fábio Ferraz, a modelagem em estudo tem perfil privado e busca permitir que condomínios associados à ACOPI, a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados, possam acessar financiamento para intervenções de engenharia voltadas ao reaprumo das estruturas.

Segundo o município, as inclinações estão ligadas ao tipo de fundação adotado décadas atrás e às características do solo local.

Desde 2024, moradores e representantes desses edifícios passaram a se organizar por meio da ACOPI, em busca de alternativas técnicas e financeiras para amenizar ou corrigir o problema.

Esse tema ganhou tração porque a discussão sobre resiliência urbana em Santos deixou de tratar apenas da água da chuva.

O avanço da maré, a pressão sobre a orla, a necessidade de modernizar comportas e canais e a vulnerabilidade de parte do patrimônio construído passaram a ser vistos, na administração municipal, como partes de um mesmo desafio estrutural.

Ainda assim, cada frente avança em ritmo próprio e com instrumentos diferentes de financiamento.

No estágio atual, o que existe de forma oficial é a aprovação do apoio do BNDES para estruturar o projeto de adaptação climática e a continuidade das tratativas para as demais linhas.

A execução das obras, porém, dependerá da conclusão dos estudos, da definição do modelo jurídico e financeiro, do licenciamento e da aprovação política necessária para transformar o planejamento em intervenção concreta na Cidade.

Do Portal CPG