Trump diz que EUA ‘dizimaram o Irã’ e pede que países ‘cuidem’ do Estreito de Ormuz

Fluxo de navios na principal rota do comércio global de petróleo caiu expressivamente após o início da guerra no Oriente Médio, elevando os preços — e a preocupação do republicano.

O presidente Donald Trump afirmou neste sábado (14) que os Estados Unidos “dizimaram completamente o Irã” e pediu que outros países “cuidem” do Estreito de Ormuz, principal rota do comércio global de petróleo.

“Os Estados Unidos derrotaram e dizimaram completamente o Irã, militarmente, economicamente e de todas as outras formas, mas os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem, e nós ajudaremos — MUITO!”, escreveu ele na Truth Social.

Mais cedo, Trump já havia pedido que outras nações auxiliem na garantia do tráfego marítimo no estreito. O fluxo de navios na região caiu expressivamente após o Irã anunciar o bloqueio da rota, em resposta à ofensiva dos EUA e de Israel contra seu território em 28 de fevereiro.

O cenário se agravou após forças americanas atacarem, na sexta-feira, instalações na ilha de Kharg, no Irã — um território estratégico responsável por cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo.

A guerra no Oriente Médio fez o preço do barril de petróleo disparar no mercado internacional e atingir US$ 120 na última semana, o maior valor desde 2022. Depois, recuou, mas segue na casa dos US$ 100 — ainda em nível bastante elevado.

Em outra publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que muitos países enviarão navios de guerra, em conjunto com os EUA, para manter o estreito aberto e seguro — sem citar quais. Ele também cobrou apoio de China, Reino Unido e outras economias

“Espera-se que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial enviem navios à região, para que o Estreito de Ormuz não seja mais uma ameaça de uma nação que foi totalmente dizimada”, escreveu.

Ataques a navios

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã provocou tensão em todo o Oriente Médio, mas afetou especialmente a principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo.

Desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, ao menos 13 ataques foram registrados ao redor do Estreito de Ormuz, segundo a agência marítima britânica UK Maritime Trade Operations.

Com a instabilidade na região, o fluxo de navios petroleiros despencou — fazendo os preços da commodity dispararem.

O Estreito de Ormuz

 

Localizada entre Omã e o Irã, a passagem responde pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que partem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas.

A história do Estreito de Ormuz é marcada por sua importância como corredor comercial e, mais recentemente, como ponto estratégico para a energia mundial.

Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Nos séculos 16 e 17, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas.

Já no século 20, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou a relevância do estreito. Após a Segunda Guerra Mundial, ele se consolidou como uma via essencial para o transporte de petróleo do Oriente Médio para outros continentes.

Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980–1988), navios petroleiros foram atacados, e os EUA passaram a escoltar embarcações na região.

Desde então, o estreito se tornou um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por longos períodos.

Atualmente, uma fatia expressiva do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz, assim como grande parte do gás exportado pelo Catar. Por isso, qualquer conflito na região tende a impactar os preços da energia e os mercados globais.

Fonte G1
Crédito Reuters